A força das linhas auxiliares do marxismo cultural

Na mitologia Grega, se você corta a cabeça de uma Hidra, duas novas nascem no lugar.

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    Em um processo de hegemonia marxista, o mito se torna real. Os marxistas aprenderam o valor e a força das organizações, sejam formais ou informais. São especialistas em criar uma ordenada rede interdependente multifuncional para influenciar e manter a chama da militância socialista ativa na cultura de um país.

    Os núcleos de militância precisam ser bem definidos e difundidos entre os vários aspectos socioculturais de uma sociedade, assim como o Marketing procura trabalhar a segmentação do mercado em busca de um público alvo, a militância socialista procura segmentar a sociedade e criar uma organização representativa a partir desde fração segmentada, dividir para conquistar.

    Para cada questão social existe um grupo ou uma facção de grupos impondo-se como representantes legítimos daquela causa. Portanto para os socialistas, é fundamental a divisão de classes, não só no conceito econômico, mas em todo e qualquer traço social.

    Uma rede de militante atuação é um composto de N organizações formais ou informais dispostas a defenderem um ideal e atacar movimentos contrários a suas ideias. Essa rede torna-se complexa e cada vez maior, a medida em que mais e mais ingressantes são captados para tornarem-se pões no tabuleiro de xadrez político. Partidos políticos alimentam os movimentos ditos representativos fornecendo recursos financeiros e treinamento profissional. É a partidos políticos criarem unidades internas de representação social, trazendo de exemplo, a Juventude Socialismo e Liberdade (JSOL) pertencente ao PSOL, temos a Juventude da Social Democracia do PSDB, a Secretaria Nacional da Mulher do PC d B e a ala sindical do PMDB, são inúmeros exemplos que podem ser trazidos à tona, todavia, não é esse o termo central desta presente análise.

    O fato é, para partidos políticos manterem-se no poder precisam de trabalhar em uma via de mão dupla, primeiro receber apoio depois fornecer recursos para manter esse apoio. É tudo uma questão de barganha. As organizações auxiliares servem como captação e manutenção das massas de manobra para alavancagem de candidatos e projetos legislativos. Sabe-se que a uma única organização política pouco pode fazer, porem somando-se a outras organizações atuantes, criar-se-á uma força mobilizadora mais consistente.

Dir-se-á que o que cada indivíduo pode modificar é muito pouco, com relação às suas forças. Isso é verdadeiro apenas de um certo ponto, já que o indivíduo pode associar-se com todos os que querem a mesma modificação; e, se esta modificação é racional, o indivíduo pode multiplicar-se por um elevado número de vezes, obtendo uma modificação bem mais radical que à primeira vista parecia possível. (GRAMSCI, 1999, p. 414)


    Como apresentado por Gramsci, é preciso criar uma rede de organizações para criar uma revolução política. A guerra cultural não começou nessa década de 2010, começou com as primeiras organizações comunistas atuantes nas décadas de 50 e 60 do século 20. Apesar de terem sido bruscamente freadas no regime militar não foram existentes por completo. Com o tempo novos líderes foram surgindo, e mais uma vez novos movimentos foram nascendo.

O problema é complexo também por um outro aspecto: não é suficiente conhecer o conjunto das relações enquanto existem em um dado momento como um dado sistema, mas importa conhecê-los geneticamente, em seu movimento de formação, já que todo indivíduo é não somente a síntese das relações existentes, mas também da história estas relações. (GRAMSCI, 1999, p. 414)

    A real intenção da política socialista é institucionalizar-se perpetuamente no poder. Da mesma maneira que um câncer espalha-se pelo corpo, a esquerda precisa aumentar seu poder de comando e influencia.

    A classe política domina as demais estruturas da formação socioeconômica brasileira, desde órgãos públicos até o setor privado e terceiro setor a esquerda entranha-se corrompendo-os afim de conseguir instabilidade na sua governabilidade.


Observe que quanto mais à esquerda empodera-se mais o caos social se faz presente, o abismo econômico entre ricos e pobres aumenta, a classe intelectual reduz-se, a profissionalização de trabalhadores empobrece, o nível de empreendedorismo despenca, violência aumenta, educação perde a qualidade e etc. Esse caos tem função de idiotizar a população, criando assim os excluídos sociais.

Muito provavelmente, os excluídos no futuro se constituirão, no futuro, em massas de manobra de partidos políticos, muitos deles antidemocráticos e contrários a política atual, objetivando a conquista do poder. (ALCOFORADO, 1997, p.73)

    O Partido dos Trabalhadores (PT), foi pioneiro profissionalizar o recrutamento e geração de lideranças para seus interesses políticos. A segmentação do PT era basicamente a classe média operária. Os sindicatos forneciam candidatos para abraçarem as ideias socialistas do PT. (SECCO, 2011 p.62) descreve como era o processo de recrutamento do PT.

A base social de recrutamento político era formada inicialmente por “operários da indústria, como metalúrgicos, químicos, petroleiros, coureiros, vidreiros e do setor de serviços, como os empregados empresas de transporte, bancários, pequenos empresários e trabalhadores rurais sem-terra, além de funcionários públicos como professores das redes municipais e estaduais de ensino.

    Como observado, a estratégia bem-sucedida do PT abriu um novo ramo profissional, a militância marxista brasileira. De maneira breve encerro esta simples análise demonstrando artisticamente algumas organizações políticas atuantes no Brasil.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA.

ALCOFORADO, Fernando. Globalização. NBL Editora, 1997.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Editora, 1999.

SECCO, Lincoln. História do PT, 1978-2010. Ateliê editorial, 2011.

One thought on “A força das linhas auxiliares do marxismo cultural

  1. Lucas Macedo

    muito bom esses diagramas, extremamente bem feitos e explicativos.
    Meus parabéns e obrigado pelo texto.

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