Educação Moral e Cívica e o Patriotismo

O objetivo da educação moral e cívica era mais um efeito existencial no indivíduo do que a simples aprendizagem de conteúdo teórico. Atingiste o objetivo, quando o aluno sai mais cônscio de suas responsabilidades, mais ciente de ser um cidadão radicado no contexto de um país em desenvolvimento, com muitas obrigações para com a coletividade e âmbitos individuais, em cujo seio nasceu e com a qual tem de cooperar. O homem só pode sobreviver num meio social e, por “social” entende-se a capacidade de cooperar, em conjunto, para a construção ou realização de certos objetivos. Só existe cooperação quando se cria um objetivo comum. Com agrupamento de pessoas com os mesmos objetivos.

Um exemplo comum é a “Responsabilidade” que, consiste mesmo em dar ou partilhar algo de si próprio com os outros ou com a sociedade. O indivíduo responsável é o que mantém sempre, mesmo inconscientemente, um sistema de trocas válidas entre ele e o grupo, entre ele e o trabalho, entre ele e as perspectivas de futuro com vistas a um auto-aperfeiçoamento e um possível aperfeiçoamento da vida social.  Sempre que alguém alcança um pequeno aperfeiçoamento está, da mesma forma, aperfeiçoando o grupo, visto que a melhoria numa célula ou indivíduo precisa ser absorvida pelo grupo, pelo organismo social. O mundo é criado à imagem do homem e segundo as suas necessidades; o trabalho de nossos antepassados, ainda os mais remotos, foi extremamente árduo. Hoje, temos todas as condições para atingir os mais elevados objetivos no campo ético e social, visto que temos um mundo superdesenvolvido em todos os setores. O ideal a ser colimado é a cooperação mútua, de cada um de nós, para a construção de uma sociedade estável, justa, pacífica, próspera, moralmente equilibrada e estimuladora de grandeza de ações e nobreza de vida.

É preciso superar as imperfeições do mundo que estamos criando; corrigi-las corrigindo-nos. Claro que, isto jamais deve ser compreendido num âmbito ditatorial, daqueles que se é obrigado a seguir as coisas de tal forma, juntamente com o pensamento limitado ao pensamento dos outros.  O homem não se limitou a criar os meios de subsistência, ele criou valores espirituais, éticos, morais; procurou codifica-los e ampliar os seus conhecimentos, adaptando-se ao meio em que teria de viver. Esta ânsia de conhecer o mundo e de conhecer-se levou o homem à criação de todas as ciências, filosofias e religiões que, por sua vez, auxiliaram-nos a desvendar os segredos do seu futuro.

E isso, encaixa-se perfeitamente no conservadorismo. Ao fixar-se, enxerga-se que esta lição de que criar o mundo, reformular o meio em que se vive, não significará jamais obrigar alguém a seguir estes conceitos, significa em termos éticos ou morais aperfeiçoar a si mesmo para que desta forma possa ajudar moralmente os outros. O mundo no meio do qual o homem vive, não é formado só de coisas e objetos materiais. É constituído, sobretudo, de valores, símbolos, imagens e representações mentais, de ideais de vida, hábitos e fatos aprendidos. Valores estes, definidos e preservados pelas instituições. Por isso é que a felicidade ou infelicidade, alegria e tristeza, dependem do ajustamento dos elementos básicos do mundo interior com o mundo em que se vive. Para tanto é necessário aprender o que são valores.

Valores Úteis – São os valores considerados vitais para uma civilidade, a elegância de maneiras, o equilíbrio emocional, os traços harmoniosos da personalidade e, tudo quanto contribua para que o homem viva sem dano individual e sem prejuízo de terceiros;

Valores Lógicos – Decorrem da necessidade que o homem sente de conhecer e explorar, em termos científicos, o mundo em que vivemos. Através da ciência, pode-se definir e alcançar um conhecimento muito grande, ainda evasivo no Brasil;

Valores Estéticos – Respondem à necessidade de ordem e de criação interior que se manifesta de maneira emocional e espiritual;

Valores Éticos – Respondem às necessidades de sobrevivência e de harmonia do grupo, como a honra, a bondade, a fidelidade, a benevolência, a caridade, e outros, como a dedicação à pátria, etc;

Valores Religiosos – Respondem à necessidade de fundo inconsciente e profundo da complementação que o ser finito, tem relação ao ser Absoluto. Esta, comparada à ciência, evidencia os “indicadores da fé”, onde a quantidade e relevância são encontradas dentro de si mesmo, independente da Religião.

O caminho para tornar-se um conservador começa ao procurar e adquirir valores, estes que fazem parte da real cultura brasileira, soterrada desde sua existência por mediocridade, indolência e ignorância, onde o caminho para consegui-la, é árduo e difícil. Contudo, os resultados a partir, serão sempre, muito satisfatórios. E para encerrar, o patriotismo.

É um sentimento espontâneo de massa que, provavelmente natural, porque o indivíduo encontra na nação uma espécie de segunda imagem da mãe; é dos seus recursos e de seu meio que vive. Por isso, nada mais justo do que o devotamento à Pátria – do qual o Serviço Militar é uma decorrência. Existem dois tipos de patriotismo: o lúcido e consciente, e o patriotismo ingênuo.

No patriotismo Lúcido  o cidadão procura ser útil à pátria e não apenas tirar dela tudo quanto pode. Isto não impede que falhas, defeitos, imprevisões do país sejam apontados, pois o conhecimento e debate de seus problemas pode incentivar o cidadão a trabalhar com mais consciência, denodo e entusiasmo pela pátria.

Já no patriotismo ingênuo é usado pelos aproveitadores; ele procura acobertar as falhas com o ufanismo irreal. Algumas idéias preconcebidas arraigam-se graças ao patriotismo ingênuo, e constituem, através dos tempos, verdadeiros empecilhos ao nosso desenvolvimento.

Encarar realisticamente os problemas do país, suas grandeza e deficiências, e prepararmo-nos com afinco para sermos úteis à nossa terra, estes são os verdadeiros sentidos do patriotismo. Não obstante, jamais deverá ser usada a velha ingenuidade e narcisismo individual. Este que, massivamente corre nas veias dos brasileiros. Este que, imputa para si mesmos e para seus semelhantes de que, outros países são inferiores, “malvados capitalistas” e egoístas. Onde usam o falso patriotismo como uma alavanca para encher os discursos inflamados de progressismo contra estrangeiros.

One thought on “Educação Moral e Cívica e o Patriotismo

  1. Douglas

    Perfeito.

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