Os princípios bíblicos da submissão e do amor sacrificial

Hoje mais do que nunca todas as opiniões estão expostas, as redes sociais viraram verdadeiros murais de “grandes filósofos, teólogos, cientistas políticos” e por aí vai… Porém, neste “mar” de informações, de formadores de opinião o que vemos de forma reiterada são verdadeiras guerras de opiniões e muitas vezes gritantes distorções de princípios bíblicos.

 

Assim sendo, gostaria de falar a respeito de um assunto que tem gerado muita polêmica, principalmente entre as pessoas que combatem o movimento feminista, o movimento ‘na real’ e todos os ‘ismos’ que se pode imaginar, pois vejo que muitos cristãos estão se posicionando a respeito do assunto sem de fato entender profundamente os deveres conjugais descritos por Paulo em Efésios 5: 22-33.

Dias atrás me deparei com uma foto em algumas páginas do facebook, e os comentários me fizeram refletir sobre o assunto.

Apesar de todas as distorções que são feitas a respeito deste princípio (submissão), começo pela foto que remete apenas e tão somente ao cuidado dedicado que a mulher deve ter e é inerente a sua natureza de auxiliadora. “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda” (Gn 2:18 – NVI).

 

O cuidado dedicado não deve ser confundido com submissão, pois tão somente demonstra a natureza sensível, delicada e detalhista da mulher, que quando vive de acordo com sua natureza e propósito de vida, ela cuida de forma minuciosa daqueles a quem ela ama e preza.

 

Neste norte, é importante frisar que o sentido da palavra submissão neste contexto é estar sob a mesma missão, conclui-se então que o princípio bíblico deve ser entendido como ser auxiliadora da missão do marido no relacionamento matrimonial, e não podemos confundir submissão com subjugar (submeter pela força, por ameaças ou por habilidade; dominar, sujeitar), pois não é este o sentido do princípio bíblico.

 

Desta forma, para entendermos o significado deste princípio precisamos primeiro discernir que o relacionamento homem x mulher faz parte de um plano de Deus, e assim sendo, precisamos remeter-nos ao texto bíblico que trata do princípio da submissão para que possamos analisar o profundo significado dos deveres conjugais, vejamos:

 

“Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos.” (Ef. 5:22-24)

 

Aqui, necessário se faz destacar que a submissão da mulher é comparada com a submissão da igreja à Cristo, então precisamos entender que Cristo nos amou primeiro (1Jo 4:19), isto é, o amor de Deus por nós ocorre antes de nosso amor por Ele. Neste sentido, é importante discernir que não é o nosso amor a Deus que fez com que Ele enviasse Jesus pra morrer em nosso lugar, mas o amor Dele por nós (1Jo 4:9-10).

 

Trazendo este discernimento aos princípios que devem ser cumpridos pelos cônjuges, o marido é o responsável pelo relacionamento (o líder, o cabeça), por óbvio, por que é o possuidor de mais autoridade, isto é, ele é quem tem mais responsabilidade diante de Deus, inclusive a responsabilidade de morrer pela esposa se for necessário.

 

Logo, não se pode esquecer que o princípio de submissão da mulher está totalmente ligado ao amor sacrificial do marido pela esposa.

 

“Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável.
Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo.
Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois somos membros do seu corpo.” (Ef 5:25-30).

 

E é este mesmo amor sacrificial dos homens que leva as mulheres ao caminho natural da sujeição, assim como leva a nós cristãos a nos sujeitar ao amor de Jesus Cristo por nós.

 

Muitos homens se esquecem de que os maridos, nos deveres conjugais, representam para as esposas a figura de Cristo, portanto, a sujeição é o caminho natural do amor, do acolhimento profundo, dos pequenos gestos que se escondem na rotina do casamento, pois o marido é aquele que “cuida” da Esposa (Ef. 5:29).

 

E por não terem o discernimento correto, acabam por distorcer este sentido da autoridade do marido, principalmente quando comparada à autoridade de um general, e não de um líder com propósitos específicos, como bem pontua Emerson Eggerichs a respeito do assunto:

 

“O marido bem-intencionado não tenta usar a posição de cabeça como um tipo de arma para aterrorizar a esposa e os filhos. Ele age de maneira responsável – e amorosa – para ser o líder que Deus pede que ela seja.” (in Amor e Respeito, o que ela mais deseja, do que ele mais precisa, p. 208)

 

E segue explicando por qual razão o homem é o cabeça, líder do relacionamento conjugal, e, portanto, detém autoridade de Deus:

 

“Nenhuma organização que funciona bem pode ter dois chefes. Um casamento estabelecido com dois iguais na liderança está destinado ao fracasso.” (in Amor e Respeito, o que ela mais deseja, do que ele mais precisa, p. 212)

 

Aqui devemos lembrar-nos do que a palavra nos diz: “Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir. Se uma casa estiver dividida contra si mesma, também não poderá subsistir” (Mc 3:24-25– NVI).

 

Portanto, ao entendermos o real sentido da autoridade do marido, e a necessidade da mulher em ser amada de forma sacrificial, os maridos podem cumprir com este princípio tão profundo e de tamanha responsabilidade, que acaba por levar as esposas aos seus braços sem que ao menos precisem chamá-las.

 

Emerson Eggerichs explica por qual razão o amor do marido deve ser sacrificial:

“A esposa deseja ser essa pessoa especial que Paulo descreve. Ela quer ser saudada como uma princesa, não reverenciada como uma rainha. Ela deseja ser a primeira em importância para ele.”

[…]

Ela, por outro lado, possui alguma coisa dentro de si que faz com que tenha sede de ser valorizada como ‘primeira em importância’. Nada lhe dá mais energia! Ela não é egoísta. Deus colocou isso nela, em sua própria natureza.” (in Amor e Respeito, o que ela mais deseja, do que ele mais precisa, p. 60, 61)

 

“Deus criou as mulheres de tal modo que elas querem ser apreciadas, estimadas, honradas e respeitadas. A maneira de honrar sua esposa, assim como de honrar seu compromisso com Deus, é valorizá-la.”

[…]

Existe alguma coisa na natureza dele que o chama a ‘presidir’ o relacionamento. O marido não sente isso com a intenção de ‘ser superior’. Ele simplesmente se sente responsável por protegê-la e morrer por ela. Deus criou os maridos dessa maneira, e do mesmo modo eles sentem essa responsabilidade.

A visão bíblica é que uma esposa não se sente chamada a morrer por seu marido do mesmo modo como ele se sente chamado a morrer por ela. No capítulo 5 de Efésios, o marido é a figura de Cristo, Cristo morreu pela igreja. A esposa é a figura da igreja, e seu marido deve morrer por ela. Sua esposa não quer presidir o relacionamento, mas ela quer ser a primeira em importância para você. É isso o que Pedro quis dizer quando usou a expressão ‘tratar com honra’ (cf. 1Pe 3:7). Sua esposa quer ter certeza de que você a tem na mente e no coração com a primeira e mais importante. É esse o sentido que quero dar a ‘apreço’: quando ele existe, a esposa se sentirá valorizada como se fosse a mulher mais amada da terra. Ela também vai querer respeitar você do mesmo modo como a igreja reverencia a Cristo. Lembre-se que o seu amor motiva o respeito dela, e o respeito dela motiva seu amor!” (in Amor e Respeito, o que ela mais deseja, do que ele mais precisa, p. 176 e 177).

 

Marido amai vossas esposas…esposas sujeitai-vos a vossos maridos… O resultado? Quanto mais o marido ama, mais a esposa se sujeita; quanto mais a esposa se sujeita, mais o marido a ama! Não há conflito algum aqui, apenas e tão somente ambos os princípios sendo vividos de forma correlacionada, nos exatos moldes mencionados na bíblia.

 

Outro ponto que merece destaque é a responsabilidade proveniente da autoridade do homem, que nos revela ainda outro princípio, se o homem é o líder, o cabeça, a atitude de iniciar o relacionamento deve partir dele, e nos dias atuais as distorções dos relacionamentos começam aqui.

 

“Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gn 2:24; Ef. 5:31). A palavra é taxativa o homem deixará… É de se concluir que as distorções dos princípios (submissão e amor sacrificial) ocorrem principalmente por que foram relativizados desde o nascedouro do relacionamento, atitude infelizmente muito comum das mulheres cristãs nos dias de hoje, que se esforçam em iniciar os relacionamentos, contrariando um princípio bíblico.

Aqui me dirijo especialmente às mulheres, em qual história bíblica a mulher foi quem teve a iniciativa de buscar um homem para relacionar-se? É necessário discernir que na bíblia, toda vez que uma mulher persegue um homem, ela é considerada imoral.

 

Ora amados (as), se o amor sacrificial é um princípio comparado ao amor de Jesus pela igreja, não cabe a nós mulheres tomarmos a iniciativa para começar um relacionamento, esta atitude deve partir do homem, que deve assumir sua liderança e a disposição ao amor sacrificial, antes mesmo do casamento, digo mais, esta decisão de amar deve surgir no exato momento que ele se dispõe a iniciar um relacionamento.

 

Creio que estas distorções ocorrem por que muitos homens e mulheres, assim como confundem a submissão com formas de servir (uma das linguagens de amor que deve ser cumprida tanto por homens quanto por mulheres), relativizando e diminuindo um princípio tão profundo, confundindo-o ainda com o cuidado dedicado da mulher, acabam também por ignorar completamente a importância do amor sacrificial.

 

Quando um homem não se dispõe a viver este princípio de amor sacrificial, ele está abrindo mão de um princípio bíblico, que interfere totalmente na submissão da mulher. Deste modo, muitos homens desejam mulheres submissas, mas estão muito longe de amá-las com amor sacrificial, não se portam de forma piedosa, com verdadeira ternura, humildade, abnegação, coerência e sacrifício pelas mulheres que dizem amar.

 

Aqui é importante ressaltar que o amor sacrificial não é um sentimento, do qual os homens podem optar, mas uma decisão, caso contrário o princípio não seria um imperativo, mas uma condicional do tipo: “se sentirem no coração, só então amem suas esposas”.

 

Um texto que me tocou profundamente a alma nos demonstra claramente o tipo de homem que devemos almejar ter como nossos esposos e como os homens devem se esforçar para ser:

 

“O homem que você está procurando não é um menino. Ele é um servo. Ele se preocupa com suas necessidades acima das dele. […] Aquele homem que entregará a vida dele pela sua é o tipo de homem que você facilmente pode dar a sua vida por ele. O homem que se autossacrifica é fácil servir sacrificialmente.” (in “Uma carta aberta à minha filha” por Pr. Byron Yawn).

 

Vejam que os princípios de submissão e amor sacrificial são muito mais profundos do que todos os comentários rasos que muitos defendem, e o principal: precisam ser entendidos e seguidos no intuito primeiramente de agradar a Deus.

 

A beleza matrimonial está muito além de buscarmos casar-nos com pessoas perfeitas, maravilhosas, antes disto, é estarmos sempre dispostos, bem intencionados e compromissados a cumprir em nós mesmos os princípios, pois enquanto eles forem inerentes em nossas vidas, mesmo diante de todos os obstáculos e tribulações típicas de qualquer relacionamento, estaremos glorificando a Deus e cumprindo Sua vontade, e isto é o que verdadeiramente importa.


Fontes de pesquisa e sugestões de estudos abençoadores:

 

  • Bíblia Sagrada – Nova Versão Internacional (NVI);
  • Amor e Respeito, Emerson Eggerichs; traduzido por Emirson Justino. São Paulo: Mundo Cristão, 2008 – pode ser adquirido aqui
  • “Uma carta aberta à minha filha” por Pr. Byron Yawn retirado daqui

  • A Submissão da mulher à luz da Bíblia e o uso equivocado do termo, Jeane Kátia dos Santos Silva – leia mais aqui
  • O que um homem espera de uma mulher de Deus – Pr. Felipe Heiderich – assista o vídeo aqui
  • Mulher virtuosa – Pr. Paul Washer- assista o vídeo aqui
  • Falando de amor – Ep 6 – Para os solteiros por enquanto… – assista o vídeo aqui
  • O matrimônio na visão de Tolkien – leia mais aqui
  • Namoro Bíblico – Seminário 1º Dia – Paul Washer – assista o vídeo aqui
  • Existem efetivamente 3 tipos de amor Raya, Ahava e Dod – vídeo aqui
  • Casamento e amor – John Piper, Don Carson, Tim Keller – vídeo aqui
  • A Glória de Deus no Casamento – John Piper e Paul Washer – assista o vídeo aqui ou leia mais aqui
  • Como ser uma mulher de Deus – Paul Washer – E-book para leitura on line aqui ou faça o download aqui
  • Marido, com agir com a sua esposa – Paul Washer – assista o vídeo aqui
  • Recuperando a feminilidade bíblica – Paul Washer – assista o vídeo aqui

 

One thought on “Os princípios bíblicos da submissão e do amor sacrificial

  1. Danilo Souza

    Submissão nem aqui e nem na china, viva a igualdade de gênero!

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