Deixem meu cigarro em paz!

Ora, porra, diria o Prof. Olavo de Carvalho.

 

Eu amo incompreensivelmente a coluna de Paulo Francis que enaltece o existencialismo de um tragar. O lirismo com que Paulo trata o conceito de fumar à uma linhagem puramente romântica da literatura, já seria motivo para deixar o fascismo anti-tabaco nu.

 

Café-preto, cigarro. Escrever… Esse tipo de cronologia é Camusiana, Kafkaniana, Olavista e Uspiana, só que o cigarro da última é diferente.

 

Meu tabaco não é crime. A constituição não o impede. Mas vou ter que me esconder, como os maconheiros, no alto dos morros das favelas ou até mesmo dentro de umas vielas da Rua Augusta? Saleiro não tá podendo, cigarro também não. Traficante de ambos, já vale uma grade?

 

Discutem com grandes possibilidades de sanção a lei que proibirá cigarros em praças e parques públicos.

 

“Alô, Zé Pequeno. Me vê dois maços de Marlboro, que a casa tá caindo aqui pra mim”.

 

“Zé pequeno é o car**ho”

 

A esquerda é tão arcaica, que o motivo deles quererem proibir o cigarro, deve ser por acharem que o mesmo ainda é sinônimo de elitismo. Onde só quem são Humphrey Bogarts da vida ostentam em suas mãos um belo Hollywood. Gentinha, o cigarro é coisa de pedreiro, de padeiro, motorista de ônibus, porteiro… Cigarro é coisa de gente honesta, gente que acorda aos domingos de manhã só para prestigiar o Juventus da Mooca, que liga o rádio cedo e vai para uma mesa de bar jogar dominó. Cigarro é coisa do povo, coisa de gente que já está com seus 70 anos e são muito mais joviais do que o Drauzio Varella.

 

Não quero andar na garoa em imagem preta e branca, com uma bengala envernizada, um chapéu Panama de lado ao rosto e chegar em casa para desfrutar do meu Whisky 80 anos enquanto fumo um Camel. Não quero me materializar em burguesia, em nouvelle vague ou um noir qualquer. Eu só quero a droga do cigarro.

 

Deixem em paz o meu cigarro. O pulmão que o pede, é meu ou teu? E a mão vazia, triste e desamparada, é minha, não é? E a boca latente de desejo tabacal, é a minha, não é? Então porque diabos não deixam meu corpo em paz? Vou ter que usar jargão de feminazi mesmo?

 

Já não basta 33 ministérios, querem mais 1 com o nome de Ministério do Anti-Tabaco? Aposto que esse ficará do lado do 35º, o Ministério da Maconha.

 

Vocês implicavam com o Paulo Autran, Paulo Francis, Olavo, Nelson Rodrigues, Zé Wilker, Chico Buarque, Adoniran, Noel Rosa, Cartola, Cruyff, Camus, Audrey Hepburn, Walt Disney, Godard, John Wayne, George Harrison ou com toda a década de 20 e 30? Então, deixem as pessoas comuns fumarem, ora!

 

Olavão tem razão anté nisto, “Beber não pode, comer carne, também não. Fumar cigarro, piorou. As únicas coisas que podem pra esquerda é, fumar maconha e dar o c*.

 

É só um cigarro, é só um pulmão um pouco mais paulistano. São só os dedos com um odor diferente. Não estou me matando, quem dirá matando você.

 

Deixem meu cigarro em paz. E não digo isto como uma ordem judicial, com palavras de revolta e revolução. Digo apaziguadamente, levemente debochado e tragando um bom e amargo cigarro que se intercala com meus goles no café preto e alguns dígitos neste texto.

 

Tirem o estado de vocês de cima do meu querido maço de Marlboro, só por um minuto. Deixem meu cigarro em paz.

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