Pavlov, Freud e o gozador sinistro: Herbert Marcuse

Suponhamos o ‘condicionamento respondente’ de Pavlov. Aquela analogia de: Toda vez que ele dava comida ao cão ele tocava uma sineta. Depois de certo tempo, apenas tocando a sineta, o cão salivava. Ou seja, ele provou o condicionamento respondente, quando um determinado estímulo é “ligado” a outro estímulo que não tem, necessariamente relação. Em outras palavras, a visão do alimento é um estímulo que está condicionado pela biologia, pela genética. Um estímulo como o som de uma sineta não tem relação direta com a salivação.

Porém, ao apresentar por diversas vezes os dois estímulos pareados, unidos, o cachorro fica condicionado para salivar apenas ouvindo o som (que é um estímulo que não possui relação necessária com a alimentação). Portanto nós vemos que estímulos que não obtém relações diretas, podem influenciar psicologicamente. Imaginemos o mesmo, mas agora em pessoas, especialmente brasileiros. É a mesma linha de raciocínio. Se formos analisar tudo o que nos influencia em nossa sociedade, podemos chegar a uma rápida conclusão: Decadência do Pensamento individual. É impagável dizer de que isso não existe uma relação ao Behaviorismo, pois na verdade existe.

No Brasil, as pessoas castram a habilidade cognitiva e de ação de seus semelhantes, por não as terem em si mesmos. Invalidam qualquer tipo de movimento autônomo, utilizando como argumento de que a experiência de vida ainda é muito curto comparado à dele, e que se não fosse por seus conselhos e influências, tal indivíduo não teria a capacidade que tem. O ponto de “Tornar normal tudo aquilo que é Anormal” foi usada incessantemente em nosso país. Infiltrando-se nas músicas, escolas, mídia. Tornando extremamente fácil uma rápida confusão de achismo de que “as coisas sempre foram assim”. Afinal, influências como estas, chegam a nós desde a infância, quando não possuímos o poder de discernir completamente. No momento em que nós, passamos a achar de que aquele tipo de comportamento, o que vivenciamos, o que escutamos, é simplesmente Normal. Em um breve resumo, tudo, absolutamente tudo o que ouvimos – seja de pessoas ou outros meios, como a mídia e músicas – influenciam nosso comportamento perante nós mesmos e aos outros. A agitação da vida, por exemplo, faz com que ficamos mais agitados. E vice-versa.

Essas interligações involuntárias e voluntárias, dessa forma, podem então ficar no subconsciente do indivíduo. Assim como qualquer outro estilo musical, o Funk carioca, por exemplo, traz consigo o predomínio de atitudes libertinas, sensuais que, de todas às vezes possíveis é usado como um “ritmo do sexo”. Não importa, portanto, o “conteúdo da letra” daqui para frente. As pessoas jamais se esquecerão da perversidade que foi e ainda é o Funk, através do subconsciente que está presente junto às letras, trazendo consigo uma “música” de acasalamento completamente impura. Virou um jogo sem fim. Perversidade total, a todo o momento, sem ao menos o esquema voluntário.

No mais, este plano foi estudado em muito tempo por Herbert Marcuse. Através da analogia mecânica de Freud, em sua análise – quase diabólica. São visões, por sua vez, completamente deturpadas de nossa realidade. Incitam sempre no intuito de destruição moral e ética esses conceitos “nauseantes causadas pelo sistema da vida”. Nesse conceito, aderem a todo tipo de promiscuidade possível e jogam para a população em geral. Em termos mais espontâneos e concretos, o uso do próprio capitalismo – assim como assimilado por Marcuse em sua análise de Freud, de que o capitalismo é o bom e o ruim do ocidente -, para que ele mesmo se autodestrua. Afinal, uma sociedade sem moral, sem referências, necessita do agigantamento do Estado, o que leva, por sua vez, a destruição do Liberalismo Econômico.

A prática do “condicionamento respondente” é simplesmente um perigo para qualquer indivíduo que procure prezar por sua consciência, pois ele eleva trajetos que o indiciam para qualquer costume desejado por seu mediador. 

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