Crônica: Cacco, um jornalista maconheiro Ep.1

O comunismo foi inventado depois de uma bela chapada, só pode.

 
Lembro-me que, na minha época de graduação na USP, eu me reunia com alguns colegas de jornalismo para fumarmos maconha em algum beco da universidade.

 

Íamos Eu (Cacco), Paulo, que hoje é Paula e Carlos.

 
Começamos a fumar… As ligações de nossos pais já enxiam as nossas caixas postais, porém, éramos black blocs, não ligávamos para as broncas do maldito patriarcado.

 
Fumávamos…

 
As coisas que Marx tinha escrito já começava a ter pé e cabeça e a arte de Andy Warhol começava a ser mais bela que a de Da Vinci nas nossas mentes. Romero Britto também me encantava, acho que seus quadros foram produzidos por meio de efeitos alucinógenos. E eu, como maconheiro, admirava qualquer tipo de arte feita através desta droguinha.

 

A brisa bateu em Carlos… Ele começou a falar…

 
Era como se o que ele falava, fossem declamações das música de Caetano Veloso, onde tudo era bonito, mas nada fazia sentido. Só que a droga, buscava em seu efeito, alguma definição que era de instantâneo conforto. Carlos começara explicar o Comunismo, onde também tudo fazia sentido.

 
Ele nos dizia, com os olhos fechados, que estava no paraíso. Onde todos éramos negros, pobres e felizes, porque vivíamos tão chapados, que já não nos era possível distinguir a realidade do fantasioso. A princípio, lembrei de Cuba, a nossa perfeição terrestre.

 
Colocávamos Gilberto Gil para tocar…

 

A brisa já camuflava qualquer tipo de sobriedade. Os efeitos nos teletransportava para uma sensação filosófica avulsa, onde o objetivo da verdade absoluta, era totalmente ignorado. A sensação provocada pela Maconha, era cada vez mais a busca do indefinido, da confusão, da falta de percepção… Nossa, como isso era incrível.

 

Carlos, o mais chapado, nos contava a história de que existirá num futuro próximo uma sociedade que aceitará, sem o menor problema, o sexo em qualquer canto da rua. A princípio, fiquei curioso. Carlos explicara, que a libertinagem haveria de ganhar forças perante a sociedade conservadora, e que a ditadura sexual seria implantada. “Se reclamassem do sexo entre o Sr. Pedro e o seu Cachorro na Av. Paulista seriam presos”. Me maravilhei com as teorias que saíam da boca de Carlos. Corri para anotar, porque no outro dia não me lembraria de mais nada.

 

Carlos contava que famílias de 3 pais e 2 mães, seriam normais. Pais casariam com filhas, netos com tios e etc. A sociedade seria extremamente moderna. E eu ouvia tudo aquilo emocionadamente brisado.

 

Cada corte e colagem que Carlos fazia entre a realidade e o misticismo. Recortando figuras que pairam sobre nossa sã consciência misturada com aversões fantasiosas, era o que me impressionava. O conceito lúdico pelo qual Carlos extraía de toda a Maconha um pouco de conhecimento para aplicarmos no dia-dia, era lindo. A maconha construiria nosso mundo. Uma seita estaria surgindo. A inexistência que me tomava, não restava mais espaços, pois a Maconha havia de ter a enchido por inteiro.

 

Quadros feitos com fezes, peças de teatro com dedos nos anus, gastronomia com sangue de menstruação. Tudo isso existirá, no meu mundo, onde a maconha é o berço de tudo e a grande chave da caixa de pandora.

 

Carlos ainda falava, com lentidão, mas falava, que nesta sociedade, não existirá dinheiro. Todos viverão de seus produtos artesanais, vendidos na praia, fora do capitalismo selvagem que levanta prédios e mais prédios a cada dia e polui o meio-ambiente incansavelmente. “Não existiria mais burguesia”. Isso eu não acabei anotando, lembro-me de ter lido em O Capital.

 

Será que Marx também fumava maconha?

 

O efeito começou a abaixar…

 

Comecei a ligar a realidade com que Carlos acabara de dizer, e pude reparar que, absolutamente tudo já era proferido pelos nossos professores, pela mídia, governantes e militantes da CUT. O paraíso que Carlos montara sobre o efeito da verdinha, já existia em teoria, e a materialização dele nem era tão distante assim.

 

Será que a nossa realidade está se atracando com o psicodelismo montado na cabeça dos maconheiros?

 

Isso tem sentido! A arte já é horrível, mas a modernidade a torna bela. Quem liga pra Michelangelo? Temos as obras Lichtenstein, oras.

 

A MPB não tem sentido algum, mas é legal. Quem a compõe e quem a escuta, fumam, certeza! O show do Caetano é uma névoa branca ao céu aberto. É maravilhoso!

 

Isso me deixara aflito, vi que os rumos da realidade e dos objetivos das questões universais estavam se perdendo. Viveríamos numa fábula onde não saberíamos distinguir Mondrian de Rafael, João de Maria, Clarice Falcão de Beethoven, Tarantino de Hitchcock. Por que a Maconha deixa tudo absolutamente interessante… Mas… Isso não é bom? É, certo? Ou não?

 

Mas não podemos viver chapados, não é mesmo? Ou será que podemos? E se todos fumassem?

 

Olhem o quão lindo seria. Uma sociedade inteira moldada por causa dos efeitos da Maconha. Ninguém ligaria para princípios, morais e coisas do tipo. Estaríamos chapados o bastante para isso.

 

E caso a Maconha enjoe com o passar do tempo, pediríamos a legalização da Cocaína, Heroína, Crack… Aliás, não seria a Cracolândia o maior sinônimo de Paraíso? Às vezes penso que lá, foi o único lugar que o Marxismo deu completamente certo… Ah, sonho meu, se não der Cuba, a Cracolândia é logo ali.

 

Vocês vêm comigo, povo Brasileiro?

 

Enfim, preciso anotar isso urgente, caso contrário não vou me lembrar de nada para postar mais tarde na minha coluna da Carta Capital. Aliás, aqui é a Carta Capital, certo? Não?

 

Acho que acabei, ou não… Enfim, venham, que a mutação lunática dos cosmos em conceitos bélicos são formados por duas rosas saltitantes de um abismo irreaaaal!!! Cantem comigo, alo alô. DONA CANÔOOOO. Alô, Caetano. Eu sou veloso!!!

Onde é que eu estou mesmo?

 

Preciso urgente de um baseado!

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