Heterofobia e Homofobia – duas invenções

O avanço da agenda LGBT afundou-nos num mar de homofobia. Tudo é ofensivo aos integrantes dessa ideologia. Você é homem e não sai com ‘mulheres trans’? Homofóbico. Você não gosta de gays? Homofóbico. Você é contra o casamento gay em igrejas? Homofóbico. Você demitiu um funcionário gay, mesmo que com motivos justos para tal? Homofóbico.

Essa é uma situação que estressa qualquer ser pensante. Como luta de classes que é, o movimento LGBT nada tem a ver com igualdade para os homossexuais, assim como o feminismo também não está verdadeiramente interessado em defender a mulher – se quiser ler mais sobre feminismo, eu escrevi este post, e também este aqui. Portanto, o ódio em relação ao seu inimigo – a heteronormatividade – é evidente. Muito provavelmente por causa deste tipo de exagero, um novo disparate surgiu: a heterofobia, que, evidentemente, caracterizaria a aversão a pessoas heterossexuais, de forma análoga a homofobia, mas de maneira inversa.

Esse termo surgiu como uma forma de apontar a atitude agressiva dos movimentos pró-gay, e é usado por seus ativistas como uma ironia, de forma a indicar que não existe tal coisa como aversão a heterossexualidade, da mesma forma que a direita ironiza a palavra ‘opressão’ para indicar os exageros da esquerda.

Antes de mais nada, é bom esclarecer que meu intuito aqui é discorrer sobre a homofobia da forma que a esquerda a trata. Considerando-se o ponto de vista clínico, a homofobia faz parte das fobias conhecidas pela medicina, definida como medo mórbido e irracional de pessoas homossexuais. O significado atual, dado como violência e/ou intolerância em relação a estas pessoas, foi dado graças ao advento do progressismo cultural, que tem como objetivo dar destaque a tais lutas de classes, tratando-as como se fossem um movimento de igualdade e não como um movimento separatista, esta sim sua verdadeira face. Ou seja, não negarei em momento nenhum a homofobia de acordo com a sua definição médica, mas sim a sua existência enquanto forma de doutrinação esquerdista.

O progressismo inventou opções sexuais demais para que eu consiga me ater a todas elas, portanto, para fins de brevidade, utilizarei o termo homossexual/gay para definir lésbicas, gays, bis, panssexuais e quaisquer outros neologismos que tenham sido criados.

Explicações dadas, vamos aos fatos.

Vivemos num país violento. Considerando-se os dados de 2012, quando o Brasil deteve 13 de cada 100 assassinatos no mundo, 47 mil pessoas tiveram a vida encerrada de forma proposital sendo que, destas, 338 mortes eram de homossexuais. Nestes números, homossexuais representam 0,7% das vítimas de assassinato, e 9,4% da população em geral, que estimava quase 18 milhões de gays, lésbicas e simpatizantes dentre os 194 milhões de habitantes no país. Ou seja, estatisticamente falando, é mais provável morrer no Brasil sendo hétero do que gay.

Só para deixar claro: intolerância contra gays existe. Existem pessoas que não gostam de gays. Assim como existem pessoas que não gostam de heterossexuais. E não tem absolutamente nada de mais nisso. Eu posso muito bem não gostar de certo tipo de pessoa, evitá-la, e não lhe fazer qualquer mal. É uma atitude frequente, na verdade. O que eu não posso – e isso de qualquer um dos lados – é usar tais preferências como desculpa para ser violento com alguém. Isso sai da esfera de gosto pessoal e entra no âmbito de crime. 

Ao contrário do que o movimento LGBT diz, gays não morrem por “serem gays”, e sim porque vivem num país violento de forma geral, como já exposto antes. Para cada gay que morre, por quaisquer motivos, existem centenas de héteros que são mortos, e um não significa mais do que o outro, já que ambos são perdas humanas. Também é falho deduzir, como a agenda gay faz, que qualquer morte de homossexual esteja ligada a intolerância. Um ladrão que assalta e assassina um gay, por exemplo, pode nem sequer saber que a pessoa que matou era homossexual. Não é evidente? Ninguém tem a opção sexual escrita na testa. O ladrão continua sendo um assassino, mas não necessariamente é um homofóbico exterminador de gays. Da mesma forma, um ladrão homossexual que mate um hétero não é heterofóbico, e sim um assassino, apenas.

Os dados de violência que a militância LGBT alardeia escondem outro detalhe sutil, porém vital: a violência entre casais homoafetivos é quase tão comum quanto a entre casais heteroafetivos. A fonte que indico aqui presume, miseravelmente, que essa ocorrência pode ser explicada graças ao estresse que o grupo sofre, por ser alvo de preconceito. Isso é justificar os fins pelos meios. Um homem que esteja sofrendo qualquer tipo de pressão não deve ser absolvido caso espanque sua esposa, assim como um homossexual não é inocente por maus tratos a seu cônjuge por ser ‘minoria oprimida’. Tanto o homem quanto o homossexual, neste contexto, são criminosos e devem ser tratados como tal.

Evidentemente, violência não se resume a assassinatos. Existem, sim, pais que não toleram filhos gays, ou que não os aceitam assim. Mas imagino que não deva ser fácil para pessoas mais tradicionais entender a homoafetividade. Saber que um filho é gay, sem dúvida, desperta vários sentimentos. Decepção por não poder ter netos (em partes, já que não é vedado a gays adotarem se assim o desejar), medo de que ele sofra perante a sociedade por sua opção. Eu não tenho filhos, e mesmo assim consigo entender. Minha mãe sempre quis ser avó, e decerto ficaria chocada e desapontada se eu fosse lésbica. Também entendo o lado do filho que apenas quer ser amado e aceito, e um caso assim, que envolve apenas um pai frustrado e um filho triste, requer apenas diálogo e amor para ser resolvido. 

Ainda assim, nada justifica que se fira uma pessoa, psicológica ou fisicamente, por conta de sua preferência sexual. Se uma pessoa usa violência contra outra, sem ser em legítima defesa, e apenas por razão da opção sexual do outro, não é nem homofóbica nem heterobófica, mas sim uma criminosa, que deve responder por isso perante a lei.

Falar em heterofobia é ridículo, porque parte do mesmo princípio de coletivismo que permeia a esquerda. Não é a violência contra gays que importa. Nem a contra héteros. Ou negros. O que importa é a violência contra pessoas. Portanto, deixemos o todo de lado, e foquemos no que realmente importa, que é o indivíduo.

3 thoughts on “Heterofobia e Homofobia – duas invenções

  1. Excelente analogia. De fato não é ficar segmentando casos e generalizando ocorrências (como é o caso quando acontece com um homossexual e lá vai todo o aparato midiático polemizar um “caso de homofobia”).
    Na questão dos pais é muito delicado. De fato não se deve agredir e um diálogo é algo mais que claro nessa situação e o respeito aos posicionamentos desde a opinião tradicional dos pais a escolha do filho.

  2. Wesley

    Há homossexuais no grupo de 47.000 assassinatos/ano ali. Aquele parágrafo e continhas inteiras não valem nada, os 300 e poucos assassinatos são somente os suspeitos por crime de ódio. Pior que a autora sabe disso, mas esse argumento é sempre usado sabendo que é falacioso. Triste.

  3. Jackx Teller

    Texto bem construído e elucidativo. Explica diversas questões de maneira direta, trazendo uma visão ponderada sobre a agenda de movimentos esquerdistas sobre um conjunto de pessoas cujas escolhas pessoais são exploradas como parte de uma guerra de classes que somente interessa aos mesmos esquerdistas que a apregoam.
    Recomendo a leitura.

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