O INTELECTUAL ORGÂNICO E A LEI ROUANET

Se acompanharmos o engajamento político de muitos artistas no Brasil, verificaremos como a grande maioria  se alinha ao pensamento de esquerda, e vez ou outra vem a público opinar sobre este ou aquele assunto, mesmo sem o mínimo preparo intelectual para isso. É comum vermos cantores de música pop, rock, sertanejo, atores etc., opinando sobre temas que exigem o mínimo de domínio filosófico e até científico, como se fossem verdadeiras referências neste assunto. Mas é preciso dizer, para mal dos pecados destas antas presunçosas e seus seguidores, que tais pessoas não tem nada além da fama.

Mas o que leva a isso? Seria a mera desonestidade intelectual, a simples vontade e necessidade de opinar sobre tudo? Será que não há uma motivação para além da benevolente vontade de contribuir com o debate? Não é estranho que artistas hoje estejam tão engajados em demandas políticas e sociais, e que tenham um discurso tão alinhado e homogêneo?

Não advogo, ao contrário de muitos, uma espécie de elitização do pensamento, como se este ou aquele indivíduo tivesse de ter sua opinião tolhida por falta de títulos e certificados, nada disso. Só reivindico que não devemos levá-los tão a sério, mesmo porque, como se verá a seguir, suas intenções não são nem um pouco dignas de respeito.

É fato conhecido que o socialismo fabiano busca uma mudança gradual na sociedade se valendo de instrumentos de manipulação de massa, tal como a doutrinação marxista. Esta doutrinação não se restringe ao âmbito acadêmico, mas estende-se ao âmbito cultural: música, artes plásticas, arquitetura, cinema…

Para compreendermos melhor a estratégia da esquerda, vamos a Grammsci e ao conceito de intelectual orgânico, por onde poderemos compreender melhor esse fenômeno de “tomada de consciência  política” da classe artística.
Para o filósofo marxista Antonio Grammsci, a esquerda deve buscar uma hegemonia na sociedade, ser aceita e normatizada. Nas palavras do professor marxista Carlos Carujo:

[…]hegemonia entende-se a direção política e intelectual de uma ou várias classes. A forma como Gramsci utiliza o conceito implica uma orientação para a conquista do consenso, ainda antes de uma tomada de poder[…]

Nós brasileiros sabemos muito bem que ser de esquerda tornou-se cool e quase cultural.
A orientação para conquista do consenso implica uma necessidade de disseminação de determinada ideia em larga escala, de modo a doutrinar as massas, conquistando o consenso antes da tomada de poder, ou seja, a normatização da ideologia de esquerda é uma das etapas da tomada do poder.

O autor segue:

Neste quadro teórico, seria normal que se revalorizasse o papel dos intelectuais na disputa pelo consenso. Mas Gramsci não se contenta com isso. Também neste conceito operará um alargamento, de forma a definir o intelectual, não pela erudição pessoal, mas pela função social que o indivíduo ocupa. O intelectual é, sobretudo, o organizador.
E há dois tipos de intelectuais: os orgânicos, direta e intimamente ligados a uma classe e que organizam a sua hegemonia, e os tradicionais, que foram intelectuais orgânicos de uma classe no passado e que mantêm depois um papel mais independente noutra situação social, ajustando-se no interior do bloco dominante.
(artigo citado)

Aqui  vemos presente o quadro apresentado no início desse texto. O intelectual orgânico não necessita ter domínio teórico desse ou daquele assunto, não é valorizado enquanto tal pela sua erudição mas pela função social exercida, portanto, basta que sua mensagem tenha o alcance desejado, basta que ele esteja inserido num contexto favorável e que seja um líder, ativista ou formador de opinião.

A figura do intelectual orgânico pode ser percebida num Tico Santa Cruz, um Duvivier, um Wagner Moura, uma Letícia Sabatella, uma Linzmeyer, um Caetano Velloso, um Chico Buarque, um Mano Brown, um GOG  e por ai vai… todos cooptados pela esquerda seja diretamente seja indiretamente (por intermédio de seus movimentos sociais) para trabalhar por ela segundo a estratégia grammsciana.
Já o intelectual tradicional, outrora orgânico, é aquele que ontem era líder estudantil e hoje ocupa o interior do bloco dominante: um Mauro Iasi, Guilherme Boulos, Stédile, Sakamoto etc.

Explicado muito superficialmente o que é o intelectual orgânico e para quê ele serve, vamos ao gran finale: o papel da Lei Rouanet nessa empreitada!

Ninguém em sã consciência trabalha de graça. Nem aqueles que ousam discursar em nome dos pobres e oprimidos enquanto desfrutam das maravilhas do capitalismo, muitas vezes possibilitadas pelo trabalho escravo e muita exploração, o que os coloca na posição indigesta (e convenientemente ignorada por eles) de financiadores do caos. Mas não cabe aqui enumerar as incoerências da esquerda, mesmo porque eu preciso encerrar esse texto…

Sabendo que ninguém trabalha de graça, e precisando implantar a estratégia grammsciana do intelectual orgânico, a ideia dos governistas adeptos dosocialismo fabiano  foi uma só: COMPRÁ-LOS!
O instrumento para comprá-los?
Sim meus caros… A LEI ROUANET!

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