ANA: Entre o machismo e a misoginia

É preciso esclarecer uma coisa: se tem algo que a esquerda nos deve é o resgate da exatidão de determinados conceitos. Orwell já nos alertava sobre essa estratégia vil de renomear e atribuir novos significados a conceitos e ideias já estabelecidas, de modo a confundir as pessoas e manipular discursos; estratégia essa adotada por governos adeptos a ideologias totalitárias que foram observados pelo autor e amplamente explorado em seus escritos.

A novilingua tem a atribuição de através de ampla divulgação e força do uso, modificar conceitos outrora compreendidos de determinada forma para satisfazer essa ou aquela demanda, tendo ainda a força de modificar o entendimento sobre certos acontecimentos através de uma retórica justificante. Aprendido isso, voltemos ao que interessa…

Dias atrás a apresentadora e modelo Ana Hickmann fora vítima de um atentado do qual só saiu viva graças a ousadia, senso de dever e instinto protetor de seu cunhado, que, reagindo a investida de um maníaco, tomou-lhe a arma com a qual ameaçava a modelo e lhe disparou 2 tiros na cabeça de sua própria arma, preservando, em legítima defesa, a integridade da apresentadora, de sua assessora e de si mesmo. Todos passam bem e estão são e salvos, exceto o maníaco (que morreu).

Em entrevista, Ana Hickmann disse que foi insultada e depreciada pelo fan enquanto este lhe apontava o revólver e proferia xingamentos de cunho misógino (confira entrevista). Sua intenção, provavelmente era a de matá-la e se matar depois. Não restam dúvidas de que o fanático via seu objeto de desejo como algo disponível e que deveria lhe pertencer, um objeto sem autonomia, inferior…

Mesmo a apresentadora não satisfazendo o esteriotipo predileto de grupos sociais (mulher pobre, negra, feia, etc etc etc) que adoram se apropriar desse tipo de tragédia para auto promoção, tal como o movimento feminista, houve quem se desse ao trabalho de dizer que  o machismo não salvou Ana Hickmann. Geralmente, essas pessoas que compõe o grupo “canhoto” costumam enxergar o mundo apenas sob a própria perspectiva, usando conceitos que conhecem ainda que estes não representem a ideia pretendida, é o caso do machismo, conceito amplo mas que na boca de um esquerdista é reduzido a um mero xingamento. Por isso é salutar a diferenciação entre machismo e misoginia.

A misoginia consiste na ideia de superioridade do sexo masculino face ao sexo feminino. Na depreciação deste como algo a ser desvalorizado, e que acaba submetendo a mulher a uma condição de subserviência incondicionada; situação esta justificada pela sua sexualidade que na visão misógina, é pressuposto de inferioridade, em suma, é o preconceito, aversão direcionado ao sexo feminino, podendo ser externada através do ódio, coisificação e violências diversas.
Já o machismo consiste na valoração de virtudes atribuídas ao homem, tais como a virilidade, força, senso protetor, provisão, iniciativa, liderança etc. Tal valoração, importante frisar, não impede que estas mesmas características sejam reconhecidas nas mulheres, não acarretando nenhuma depreciação de sua feminilidade.

O Blog A Voice For Men, fez uma pesquisa breve sobre a definição de machismo e constatou:

Surpreendentemente, machismo é uma palavra muito nova [3-23]. Surge entre o final da década de 1960 e início da de 1970. Ela está registrada na primeira edição do Aurélio, em 1974. Este é o machismo original que eu encontrei:

Machismo. S.m. Bras. Pop. Qualidade, ou ação ou modos de macho (3 e 4); macheza.

Outra definição bem humorada e interessante é encontrada no dicionário informal e supostamente inserida por uma mulher:

Machismo: Característica do homem natural que não se deixou influenciar pelo Marxismo Cultural, cujo objetivo é afeminar os homens e masculinizar as mulheres. Homem que valoriza a sua masculinidade e sente atração por mulheres femininas, decentes e de família. Homem que despreza mulheres promíscuas e masculinizadas.

Aquele homem é muito machista, ele só sai com garotas decentes e despreza as promíscuas.

Entendido o que é machismo de fato, é possível verificar a incidência deste na conduta do cunhado de Ana Hickmann, que arriscando-se para garantir a integridade das partes mais vulneráveis da situação (as mulheres), encarnou a virtude da iniciativa, liderança,  do senso de proteção, da virilidade e da força; pois uma vez que era o único homem da situação, viu-se obrigado a reagir e repelir aquela ameaça, de modo que tal instinto advêm de uma construção histórica que atribui ao homem a aptidão e até obrigação de proteger seus dependentes!

É importante que reconheçamos o papel da construção histórica e seus efeitos positivos. Muitos deles definiram a sociedade que vivemos hoje e provaram seu valor resistindo ao teste do tempo nos legando costumes saudáveis e que devem ser apreciados.
É preciso se desvincilhar desse preconceito de que toda construção histórica é nociva, de modo algum. Por exemplo:

“O senso comum diz que o homem deve trabalhar para sustentar a família”.

Ora, nenhuma mulher em sã consciência há de procurar num homem, a qual deseja passar o resto da sua vida, o vício da preguiça e da vagabundagem de modo a valorizar isso. Via de regra a mulher pensa na sua prole e procura um provedor, isso desde os primórdios da humanidade, e é bom que seja assim. Do mesmo modo o homem busca na mulher traços de feminilidade e recato, de modo a querer preservar o que é seu: a família, o patrimônio, os filhos…
Como podemos ver, tais construções sociais não são frutos de um patriarcado opressor como insistem em dizer os progressistas que desejam subverter aquilo que funciona. Antes, é apenas a leitura de uma civilização erigida sobre estes costumes, e isso precisa ser ponderado.

Ainda sobre o machismo e a despeito do que dizem os grupos progressistas, a afirmação das virtudes masculinas não implica na desvalorização da mulher, visto que a afirmação de um objeto não é negação do seu contrário, isso lógica pura e simples. De modo que insistir nessa divisão é só mais um discurso que visa dividir as pessoas de modo a incitar conflitos e desestabilizar a entidade familiar saudável..

É imprescindível que preservemos a essência de certos conceitos que tentam a todo custo desconstruir e reformular, pois seja no Titanic, no Guarda Costas, no primeiro encontro com aquela “gata” ou no caso Ana Hickmann; o que importa é que o machismo faz muito mais pelas mulheres do que os discursos inflamados de sujeitos sem experiência de vida e que aspiram a utopias.

E para encerrar, deixo o print de uma resposta dada por Gustavo, o cunhado de Ana Hickmann, em entrevista concedida ao Brasilpost (verifique aqui):

declaraçãoguto

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