Para leigos – por que aumentar o salário mínimo é um mau negócio

Esta semana, a Suíça rejeitou por maioria absoluta uma proposta que visava a criação de uma renda mínima de US$ 2500 para todos os cidadãos. Ao contrário do que muitas pessoas compreenderam, o valor não se tratava de um ‘salário mínimo’, mas sim de uma renda fixa destinada a todos os suíços, algo como uma Bolsa Família.

Não é preciso entender muito de economia para perceber de imediato o disparate disso. Ao distribuir renda sem que haja retorno financeiro da mesma (afinal, o capitalismo nada mais é do que um sistema de TROCAS), uma coisa simples acontece: a fonte seca. Imagine que você seja um milionário metido a filantropo, e decida destinar um salário mensal a um número qualquer de pessoas. Nenhuma delas te prestará qualquer serviço, simplesmente receberão o valor fixado. Qual vai ser a tendência natural dessas pessoas? Acomodar-se, evidentemente, já que há alguém para lhes provir o que precisam. Com isso, o poder de compra das pessoas vai subir, mas a indústria não vai ser capaz de acompanhar. Quando há mais demanda (procura) do que oferta (disponibilidade) o que acontece é a escassez. Com a escassez, o preço dos produtos sobe, já que o empresário tentará manter o mesmo lucro tendo muito menos itens para vender. E quando o preço dos produtos sobe, o poder de compra cai, e então essas pessoas estão de volta ao ponto de partida, porém inseridas num cenário que apenas tende a piorar. É um efeito dominó.

De forma semelhante, a existência de um salário mínimo prejudica justamente as pessoas de menor renda. Explico por quê.

Em primeiro lugar, o Estado nem sequer deveria ter o direito de determinar o valor do salário que a iniciativa privada oferece a seus funcionários. E para analisar isso não pense com a cabeça do governista, que irá imediatamente dizer: “oh que absurdo, e o empresário malvado vai oferecer um salário horrível aos empregados”. Isso é absurdo. Um empresário necessita, obrigatoriamente, de mão de obra. Se ele oferecer um salário muito abaixo da média, o que vai acontecer é que as pessoas que se sujeitarem a um cargo desses vão certamente render bem menos que o esperado, e ele vai perder muito mais dinheiro com isso. Sem contar que, havendo possibilidade de vagas em lugares que paguem mais, o empregado vai dar preferência ao maior lucro.

Mas vamos mais além. Quando o governo reajusta o salário mínimo e o governista vibra, várias outras coisas acontecem por trás disso. Quem é o principal empregador do Brasil? A iniciativa privada. Disso não há nem dúvida. E as grandes empresas, falando em números, são minoria absoluta. O típico empresário brasileiro é o micro e pequeno empresário. Ou seja, a iniciativa privada pequena é a maior responsável por empregar pessoas no Brasil. À ocasião de um reajuste no salário mínimo, o que ocorre é o seguinte:

O empresário de pequeno porte vai ser obrigado a gastar mais com seus funcionários, sem que eles necessariamente produzam mais para merecer esse aumento, graças a (mais uma) imposição estatal. Tendo maior gasto e o mesmo retorno, o lucro cai. Para retornar à situação original, ele tem duas soluções: aumentar o preço de seus produtos ou serviços, o que geralmente necessita ser feito com base em pesquisa de mercado a fim de não ser esmagado pela concorrência, ou demitir alguns funcionários. Destas, a última é sempre a mais fácil de ser feita.

Da mesma forma, um funcionário que não renda o suficiente para merecer esse salário mínimo é indigno do montante que recebe, e prejudica aquele que produz proporcionalmente, recebendo o mesmo valor. E como o empregador não pode fixar o salário do primeiro empregado a um valor inferior graças ao Estado, numa situação de corte de gastos, certamente o funcionário que produz menos será o primeiro a receber a carta de demissão.

Aqui também entra um pouco do que expliquei no exemplo fictício do milionário. As pessoas passam a ter uma aparente melhoria no poder de compra, mas essa situação se inverte rapidamente.

O salário mínimo apenas complica a vida de quem emprega a classe baixa, e, por consequência, prejudica a mesma. Cair no conto dos direitos trabalhistas é pura ilusão estatal.

 

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