A esquerda que não trepa

Fico imaginando um mundo com leis que restrinjam a mulher transar de 4 por considerar esta uma posição de submissão feminina, verdadeira expressão do domínio patriarcal opressor. Detalhe: as mulheres adoram “dar de quatro”, quase um consenso!

De quatro, ela gemia. Por trás, ele a penetrava e doía. O amor anal é
sempre selvagem e mais íntimo do que todos os outros. Gemia de dor, as
lágrimas escorriam pelos lábios. Ele puxava seus cabelos loiros com força.
Sentia-se uma cadela, momento supremo, pedia que a tratasse por cachorra. Um
filósofo diria: eis a mulher.
Finalmente sentindo-se objeto, como sempre quis. Finalmente alguém que
não a respeitava. Espécie em extinção, homem que não pede licença. As
mulheres ainda vão sonhar com o tempo que faltavam com o respeito com elas
nas ruas.
Ao final, veste-se. A roupa branca trai sua função social: médica. Já no
hospital, sorri para seus pequenos pacientes indefesos. Pediatra bem-sucedida.
Na TV, uma entrevista com uma chatinha condena o comercial da cerveja
“Devassa” como sendo exploração da mulher. Nossa médica gostosa, do alto de
seu salto e de sua roupa branca, sonha em ser de novo objeto no dia seguinte. O
amor anal a deixa ali onde ela quer estar: no lugar do objeto. Nenhuma mulher é
mais amada do que a que é objeto de alguém. E ela pensa: “como essas
chatinhas atrapalham minha vida”. Escondida por baixo das roupas brancas, uma
espécie caçada: a devassa. A mulher que gosta de homem e não é histérica.
A lembrança ainda escorria em suas pernas. Criada num mundo ignorante
sobre sexo, porque o confunde com província da “biopolítica”, nossa heroína do
amor anal demorou a descobrir o que se sabe desde a Pré-história. Fala-se
“penetrar uma mulher” porque a anatomia imita a vida do afeto: o amor é
invasão da vida.

Esse texto inaugura o Guia Politicamente Incorreto do Sexo, uma coletânea de aforismos do filósofo Luis Felipe Pondé e que reputo ser leitura essencial a perpetuação da espécie, da boa espécie…

Todo o livro visa resgatar a visão politicamente incorreta do ato sexual que foi infantilizado e politizado por bestas foucaultianas que trouxeram para a cama o papo cansativo da salvação da humanidade através de um grande processo de conscientização das massas…
Se há um hábito que deve estar livre de qualquer amarra moral é o sexo, porque o bom sexo requer liberdade e só um ambiente livre é capaz de proporcionar aos amantes o deleite de uma boa trepada. Essa liberdade entre quatro paredes requer falta de pudor, de moralismo barato e puritanismo infantil. O sexo não é politicamente correto!

Como sabemos o policiticamente correto é um obstáculo ao cortejo, uma intimidação. É óbvio que esse tipo de mentalidade só pode ter sido cultivada por gente chata e mau amada que desconhece a mecânica do sexo, do bom sexo…

Parte da culpa pela politização das relações sexuais entre homem e mulher é da cultura do respeito, essa ideia de que o respeito é um bem por execelência que deve ser considerado em todas circunstâncias e em todas as relações. Discordo! Esse papo de “respeita as mina” não é comigo, porque mais sagrado que “as mina” é a gramática!

Sexo é desrespeito e requer ousadia, a ousadia de puxar cabelos, tomar “pela crina” e mostrar quem manda, não pedir licença… É a liberdade de proferir impropérios e tudo o mais que a imaginação animalesca do homem e da mulher permitirem, pois já dizia Raimundos

Respeito e consideração nunca tiveram nada a ver com tesão

Pelo que foi exposto fica claro que concordo com Pondé ao dizer que o “lado vermelho” da força tomou de assalto o tema do sexo para desnutri-lo, ao menos no que tange às relações heterossexuais, pois se de um lado verificamos movimentos para feminização do homem (o que Pondé chama de […] um movimento de frouxinhos contemporâneos de caras que usam saia para demandar o direito de sentir medo e de botar a namorada na frente do ladrão sem sentir vergonha pelo feito.) e embrutecimento da mulher na tentativa de transformá-la em um macho mal acabado (como diria Nelson Rodrigues), por outro lado você tem incentivos sem fim para que as relações homoafetivas sejam normatizadas e propagadas como novo modelo adequado à era moderna. Tanto que o conflito entre homem e mulher é incentivado com pautas que estigmatizam a figura masculina. Estigmatização esta exitosa porque fica escorada nos inúmeros casos de agressão doméstica, que quando expostos são lidos como expressões do patriarcado e do machismo, enquanto que os mesmos relatos de violência doméstica entre homossexuais são acobertados justamente para dar a impressão de que o mundo da “esgrima” e da “colação de velcro” é mais colorido e feliz. Mentira!

Sobre a figura do homem neste tema Pondé nos diz:

A nova fronteira da discussão sobre sexualidade deve ser a fala do homem heterossexual. Claro que homens são conhecidos por não terem muito saco para discutir coisas assim. Mas, diante do acúmulo de absurdos que assolam as salas de aula, a mídia, a produção cultural e artística, além, claro, das pautas políticas, é chegada a hora de dar a palavra ao mudo. Se isso não for feito logo, temo que em breve, quando os homens começarem a falar, serão apenas os coitadinhos, inseguros, que tomarão a palavra. Um dos maiores danos do politicamente correto no sexo é a criação de uma grande camada de ignorância sobre essa fina e invisível rede de afetos ancestrais entre o homem e a mulher.
Como sempre digo, devemos ficar atentos ao fato de que aqueles que mais falam disso são gays ou mal-amadas, ou pelo menos mulheres com uma visão restrita e deturpada do homem e de sua vida afetiva. A mulher ideal para falar disso é a que acabou de gozar e está fumando um cigarro sem culpa.

Ler esse tipo de texto é revigorante porque traz de volta a sensação de ainda viver entre seres humanos genuinos que gozam, trepam e até brocham; homens e mulheres no gozo da própria humanidade.

A sanha reacionária de grupos que desejam bagunçar a sociedade regredindo a mulher a uma condição sexual do “século Xlll” é curiosa. Pois ao passo que gritam “meu corpo minhas regras” as histéricas tentam cunhar a imagem da donzela que é sempre vítima porque é incapaz de escolher com quem gozar casualmente; tirando dela a autonomia da vontade, que, para mal dos pecados dessa gentinha mal amada e bagunceira, pede uma rola, esta, a insubstituível; e muitas vezes pede por ele, o machista, o cara que não pede licença.

A importância de resgatar a natureza da relação sexual em rejeição ao politicamente correto é em nome da saúde familiar. A esquerda não sabe o que é isso. Filhos de chocadeira, a horda rejeita a mínima possibilidade de consideração quanto aos benefícios do ato sexual concebido na sua naturalidade, não conseguem vislumbrar a beleza e a necessidade de subjugar uma mulher na cama, e se perguntados dirão: e por que não subjugar ao homem? E divagarão sobre antropologia e beauvoirismos brochantes que tapam sua visão para a mínima compreensão do que vem a ser a dicotomia macho e fêmea.
Não é a toa que as mulheres da esquerda são umas infelizes cuja debandada para “colação de velcro” se justifica porque seus homens as respeitam demais e são incapazes de lhes satisfazer. Amparadas no conceito de sororidade elas se “ajudam mutuamente” curando o “desespero” umas das outras porque sua natureza de mulher pede algo que sua “consciência política libertadora” as proibiu: uma boa trepada com um macho alfa.
Na outra ponta, os homens héteros devem se contentar no máximo com um papai e mamãe, previamente acordado como um coito entre puta e cliente com o único diferencial da xoxota sair de graça, “trabalhadores uni-vos”. Puta chata, daquelas cheias de “não me toque”, e que o frouxinho anui, em nome do bom mocismo. Quão cruel será o mundo na mão da esquerda politicamente correta!

Nada disso me assusta e tudo isso justifica o fato de que o sexo tem sido abordado com maior profundidade e conhecimento de causa do lado de cá, entre conservadores; porque hoje a esquerda é purtinata e o sexo é sujo.

A esquerda hoje, é uma esquerda que não trepa!

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