A REJEIÇÃO: a importância de aceitar a realidade e a cultura do mimimi

Rolando a barra da timeline de meu facebook vi uma postagem que me chamou a atenção 

rejeição

Quando visualizei, percebi uma palavra que há tempos não via ser utilizada em texto algum: REJEIÇÃO.
Pra ser sincero eu desconheço os detalhes da vida de Jack Ma, não sei se procedem estas informações ou se é só mais um daqueles mitos que surgem para celebrar a imagem do homem empreendedor. Na verdade até acredito que possa mesmo ser verdade, então fica a dúvida. Mas o que me chamou atenção e gostaria de compartilhar é outra coisa: a importância da realidade e os riscos que corremos com a geração futura, a geração do mimimi.

Somos humanos e imperfeitos, e embora desejamos sempre ser exitosos em nossos empreendimentos é preciso estar preparado para  a possibilidade de frustração e rejeição. Alguns dirão que isso é pessimismo… estão corretos de certo modo, mas não se trata de um pessimismo estático que freia a imaginação e impede a construção de sonhos.

O pessimismo que faço alusão é, antes de tudo, um ceticismo, uma descrença no êxito como convicção da própria limitação e da possibilidade de existirem outros projetos e pessoas melhores e mais preparadas do que você, e que por conta disso é seu o encargo de se aprimorar e buscar sempre apresentar o melhor. Já sabemos aonde isso vai dar…

Não é por acaso que amantes de uma igualdade inatingível sejam também promotores de modelos econômicos escorados em gigantismo estatal obstrutor da livre concorrência e contrários à ideia de mérito. Pois a ideia de que a culpa pelo fracasso de um é na verdade o mérito do outro, é um princípio que rege a boa economia de mercado, “a grande vilã produtora das desigualdades”… aliás é por isso também que os procuradores da “nação perfeita” são os mesmos agentes que propagam a cultura do mimimi, que é uma espécie de apelo para que o mundo aceite o sujeito segundo seus critérios e visão que tem de si mesmo, um totalitarismo solipsista!

O sentimentalismo tóxico produzido pela perda da ideia de rejeição como um fato a ser aceito e superado já dá sinais de sua responsabilidade quanto a formação de uma sociedade composta por seres “podres de mimados”. Seres que foram educados a lidar com a rejeição e frustração não como fatos a serem aceitos, superados e assimilados; mas como fatos a serem combatidos através da imposição da própria imagem que este indivíduo visa projetar, ou ainda, como é mais fácil de se verificar, foram ensinados a compreender o malogro segundo um vício, um ato de sabotagem da sociedade cujo costume precisa ser desconstruído e extirpado das consciências, e nós já sabemos também aonde isso vai dar…

Sem “culpa no cartório” o sujeito é levado a crer que o defeito não está nele, que sua preguiça, atitude, falta de engajamento e seu trabalho não contêm defeito algum e que na verdade tudo não passa de implicância de um modelo social que o rejeita por conta de possuir um preconceito à algum traço característico: uma monocelha, um nariz achatado, um cabelo de um tipo ou outro…
Daí percebemos que a exploração do ressentimento como combustível à militância funciona com base em maneiras tão sutis de instigar o ódio e o sentimento revolucionário que a simples frustração é extirpada de nossas vidas por gente incapaz de concebê-la como uma emoção proveitosa apta a emancipar o ser humano. Logo, as pessoas não podem mais se ferir, chorar, serem rejeitadas porque é tudo culpa do outro e somos todos seres perfeitos. Tal visão é caótica e surreal porque a rejeição existe e acontece, e ela não deixará de produzir efeitos só porque a vontade do indivíduo afetado não deseja que ela produza, tão pouco a sociedade será a responsável por isso só porque o indivíduo atribui a ela a culpa. A frustração faz parte da vida e é um produto decorrente da imperfeição do homem, daquele que julga e daquele que é julgado, ninguém é obrigado a amar alguém, considerá-lo capaz ou bonito. A ideia de que sempre se está apto a satisfazer todas as demandas da humanidade só pode ser proveniente de uma mente autoritária e mimada, para estas pessoas, eis a mensagem cruel do mundo:

“a humanidade não precisa de você. E sim, você é só mais um e terá de ralar duro para mudar esta situação!”

É preciso resgatar o humanismo perdido nas coisas simples e deixar de lado a utopia de sempre querer evitar o sofrimento. Os fortes são forjados na dor. Ao que me parece, o que se busca com a extinção da aceitação da dor é uma sociedade governada por frouxos, fracos e medíocres, de modo que a percepção do defeito é o primeiro passo para a busca do aprimoramento, a busca pelo melhor, pela excelência.
A humildade de aceitar as coisas como são e como acontecem pode ser determinante para que se trilhe um caminho glorioso e de sucesso, já o inverso disso há de criar uma geração de reis miseráveis, donos do mundo destronados incapazes de compreender o valor das coisas e que talvez muito tarde venham a tomar consciência da própria miséria, da própria mortalidade e da própria imperfeição. Uma geração de débilóides mimados que muito provavelmente será fatal para nosso modelo de civilização, esta, que os poucos homens melhores carregam nas costas

Temo pelo dia que estes homens entrarem em extinção…

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