A sensibilidade nossa- sobre a reação ao caso Neymar

Publiquei uma breve reflexão sobre o caso Neymar. O texto versava sobre a nobreza de sua atitude em desrespeitar a regra do COI em nome da sua fé.

Como é de se esperar, muita gente ignorou o texto e se fixou na pessoa e nos pecados do jovem jogador. Mas isso aqui é Retrógrado!

O mundo só está feio porque as pessoas se prendem mais as tragédias do que as coisas belas, se dedicam a disseminar mais a perfídia do que a virtude; perdem seu precioso tempo com futilidades trágicas televisionadas enquanto os filhos crescem vidrados em tablets e demais dispositivos eletrônicos presenteados justamente para a criança “não encher o saco”, seja na hora da novela ou do jornal.
Restam dúvidas de que estamos mais inclinados ao mau do que ao bem, que nossa disposição está mais para a observância do feio que para admiração do belo?
Somos capazes de julgar Neymar pela atitude tomada na hora da raiva mas não conseguimos sequer enxergar a beleza por detrás da sua resistência em nome da fé. Quem obstruiu nossa visão?

Eu acredito, como Dostoiévski, que a beleza salvará o mundo; e essa perda de sensibilidade, essa incapacidade de enxergar a beleza por detrás de um ódio histérico é só um dos efeitos de uma mentalidade direcionada à inveja: inveja do sucesso, e da glória…

A despeito das atitudes de Neymar, ele, num momento de glória pessoal, glorificou a JESUS. Quantos de nós só se lembra de Jesus no aperto? Na pobreza, na doença… recebemos nosso mísero salário e ainda barganhamos com nossa fé se devemos ou não direcionar certa quantia para a obra de Deus, fazemos uma negociata individual para não fazermos o que deve ser feito e ainda justificamos “Deus não precisa de dinheiro, isso não abala minha fé, Deus vê coração, etc etc etc etc.”

Fato é que o jovem atleta comete os 2 “pecados” mais inadmissíveis para a mentalidade brasileira: ser bem sucedido e cristão. Junte-se a isso o fato de não ser perfeito (e isso é outra coisa que a maioria dos brasileiros não sabe reconhecer, a saber, que ser cristão não te torna um asceta da noite para o dia) e pronto, está configurada a persona non grata, o Judas ideal para o cidadão médio do Brasil.

As críticas ao texto por parte daqueles que estão encabrestados pela feiura podem vir; tranquilo, ou, para adequar ao vocabulário desses feios: “de boas”. Não me importa se pensam que a página “chupa bolas” do atleta; linguajar este, aliás, inadequado para quem se dispõe apontar o dedo para os pecados alheios.

E não é só isso. O mesmo texto tratava de outra questão preciosa: o tratamento diferenciado da mídia e do comitê olímpico internacional a respeito da expressão religiosa do jogador se comparado ao tratamento dispensado aos atletas muçulmanos. Aliás, temos notícia que a atleta egípcia Ahmed Sara Samir Elsayed Mohamed, bronze no levantamento de peso, subiu ao pódio em uso de seu hijab (traje religioso muçulmano), veja a foto:

ahmed

Mas essa crítica também passou batido, poucos focaram nessa mensagem, preferiram, mais um vez, o fútil, a acusação, o apontamento do pecado alheio, o foco na pessoa de Neymar…

Para lhes “desenhar” o que quero dizer, vou deixar com vocês uma parte do livro O Mentalista, do ilusionista alemão Thorstern Havener, sobre o experimento de Wiseman e que vale também uma reflexão sobre o modo de enxergarmos a vida:

Wiseman se perguntou se a sorte ou o azar na vida das pessoas se baseia na casualidade ou se poderia existir uma razão psicológica que explicasse por que é que uns têm mais sorte do que outros.
Para isso procurou pessoas que se descreviam a si próprias como sortudas ou azaradas. Os voluntários deveriam analisar uma série de fotografias de uma página de jornal. Depois era-lhes perguntado quantas imagens havia na página. No entanto, desconheciam o mais importante: Wiseman tinha “escondido” um texto a meio do jornal. Ocupava metade da página e dizia: “Ganhe 100 libras por dizer ao investigador que viu este anúncio”. Os autoproclamados azarados tinham se concentrado tanto na quantidade de fotografias que não viram o anúncio. Os sortudos, pelo contrário, estavam muito mais descontraídos, enfrentaram a situação com toda a calma, deram uma vista de olhos geral e quase todos ganharam o dinheiro.
Wiseman demonstrou, assim, que estavam em condições de aproveitar melhor as suas oportunidades do que os restantes. Isto se deve ao fato de os nossos pensamentos influenciarem os nossos atos e de atraírem a sorte ou, também, o azar!
Wiseman escreveu: “Os otimistas eram pessoas positivas, carregadas de energia e abertas a novas oportunidades e experiências. Os azarados reagiram com reservas, falta de jeito, medo e não estavam dispostos a ver nem a querer utilizar as oportunidades que estavam ao seu alcance”.

Porfiemos, afinal, isso aqui é Retrógrado!

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