ABORTO. O feto não é uma pessoa

Dia 28 de setembro foi anunciado como o dia dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização do Aborto. Isso foi estabelecido no 5º encontro feminista ocorrido em 1999 e desde então as feministas tomam as ruas todo dia 28 de setembro para se manifestar pelo direito de matar sem culpa.

Como a isso se segue que as organizações de esquerda se unam em prol dessa marcha, sites, páginas e coletivos realizam eventos e enchem seus sítios virtuais de postagens que visam a descriminalização do aborto, proliferando uma verdadeira enxurrada  de porcarias. seja no facebook, seja em universidades diversas entre outros locais.

Sendo assim, é nossa função contrapor esse discurso de modo tão sistemático quanto ele é proposto. Por isso, tomei a iniciativa de preparar alguns textos referentes a esse tema, e que serão expostos por estes dias finalizando em 28 de setembro, rebatendo os principais argumentos dos abortistas, começando por hoje.

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Sempre que debato esse tema angario antipatia de meus adversários, a maioria desqualificados e passionais que, não tendo argumentos pela infâmia, acham por bem escorar-se na liberdade de opinião ao ponto de, abdicando da razão, exclamarem com ares de superioridade que “é minha opinião, cada um com a sua. Se não concorda respeite”. E minha resposta a esse chilique permanece a mesma: não, não respeito.

Aborto não é questão de opinião, é questão de caráter. Do mesmo modo que não respeito o ponto de vista de um estuprador, de um pedófilo ou de um assassino, não respeito, em idêntico grau de repulsa, a “opinião” de quem se coloca favoravelmente à liberação do aborto. E, se você for um destes, caro leitor, saiba que você é um ser desprezível, frio, calculista e psicopata.

Porém, todavia, entretanto; o apreço à porfia me induz à criação dessa pequena série de textos, de modo a discutir argumentos mais recorrentes acerca desta questão. Sendo assim… principiemos.

ARGUMENTO
“O feto não é uma pessoa. A depender do estágio gestacional, o ser não senciente pode ser removido sem remorso”.

Sim, de fato, o feto não é pessoa. Pessoa vem de persona o que alude a personalidade. A origem remete ao grego prósopon que aludia à máscara e personagem. Seja como for, o uso do termo “pessoa”, hoje, tem uma carga que remete a personalidade. Admitindo isso, parece muito claro que um feto não tem personalidade cognoscível, embora seja possível tirar algumas conclusões baseadas no seu comportamento (agitação, quietude) ao longo da vida intra uterina. De todo modo, excluindo conclusões românticas e sentimentalizadas, a personalidade do feto só será possível conhecer quando este estiver fora do ventre. Talvez a máxima “o que os olhos não vêem o coração não sente” seja a base desse tipo de reivindicação, a saber, a permissão para destruir um ser humano ainda nos primeiros meses de vida afim de garantir paz interior.

Ser pessoa é diferente de ser um ser humano. Este último carrega consigo o ser detentor de direitos cuja garantia independe de sua personalidade, de modo que há diferença entre o ser humano e a pessoa de alguém, senão vejamos: todos os dias lidamos com seres humanos todos os dias. No trânsito, nos transportes coletivos, em estabelecimentos comerciais; isso não significa que temos acesso à personalidade de todos eles, exceto daquilo que se pode depreender da aparência e que nem sempre será a expressão fidedigna de sua interioridade: as aparências enganam, diz o ditado. Porém, todavia, entretanto, isso não é suficiente para suscitar em nós a ideia de que tais seres humanos podem ser removidos facilmente da terra simplesmente porque não lhes conhecemos. É óbvio, porém, que se acaso algum desconhecido falecer isso não nos afetará tanto quanto afetaria a morte de um ente querido. Em suma, o que valoriza a vida humana é a importância que aquela pessoa tem para nós; esta só poderá ser importante enquanto pessoa não enquanto ser humano, mas a verdade é que não precisamos conhecer a intimidade de todos os passageiros do trem para reconhecer seu direito a vida, já que todos são seres humanos e tem direitos fundamentais assegurados e independentes; daí a razão de nossa indignação quando nos defrontamos com um crime bárbaro: não é a personalidade da vítima que nos afeta (embora a mídia tenda a enaltecer o caráter do finado), mas a barbárie cometida contra outro ser humano, a violação de seus direitos fundamentais enquanto tal, os quais independem de raça, cor, credo, time de futebol etc. De modo que penso ser bastante preocupante um ser civilizado não compreender o estrondo de um entendimento tão apreensível.

Outro problema desse argumento está na questão temporal aliada a condição senciente do ser, o que faz com que alguns advoguem pelo assassinato intra uterino até a 10a semana de gestação.

A questão de quando começa a vida dependerá da conveniência de cada um, vez que tal discussão resta indefinida seja pela ciência seja pela bioética, o que torna não só a discussão inócua como também evidencia uma maneira de distanciar-se da questão de fundo com um apelo científico a fim de conferir ao seu instinto assassino um caráter de legitimidade racional, ou melhor dizendo, racionalista. Desse modo é comum percebermos que os defensores do aborto recorrem a essa discussão como forma de valorizar seu posicionamento, mantendo uma pose aparentemente “crítica” e distante mas que é meramente materialista cuja principal intenção é fugir do caráter moral que o tema encerra.
Considerar a senciência como característica condicionante da vida, é vago e equivocado. Para explicar podemos trazer a lembrança o estado daqueles acamados em coma, que não sentem nem se expressam mas cujo direito a vida é impossível negar. Sendo assim, a impugnação desse argumento é fácil e não requer maior divagação. Ademais, chega ser curioso que enquanto se celebra o reconhecimento da senciencia animal, tenta-se, a todo custo, negar a senciencia de um ser humano a fim de mitigar a responsabilidade e o fardo gerado pelo ato que lhe aniquilará, apenas para poder dizer à Srta. Assassina da vez que “está tudo bem”.

De tudo que foi dito, fica fácil compreender os motivos daqueles que insistem em despersonificar o feto. Querem ter o direito de assassinar sem pesar, remorso ou parecerem malvados. Excluir a personalidade de alguém é descaracterizá-lo, tirar o seu rosto e com isso seus direitos, individualidade e interioridade. Negar a personalidade do feto para posteriormente advogar, por isso, a possibilidade e até a moralidade do ato de ceifar sua vida é o mesmo processo imaginativo do psicopata; que excluindo de seu íntimo a vilania do seu ato e a exclusividade do outro, encontra paz interior na falta de remorso e de ressentimento, uma maneira muito comum de evitar a lembrança latente de seu ato vil. É como diz o ditado dos bêbados “se eu não lembro eu não fiz.”

Por isso é essencial trazermos a lume o aspecto humanitário da questão, a fim de lembrar à conveniência dos assassinos com instintos reprimidos, que um ser humano é um ser independente de sua persona, e que nenhuma retórica assassina será capaz de alterar isso, assim como nunca será capaz de alterar também a realidade, a saber: que aborto é assassinato.

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