ABORTO. O feto é só um “negocinho” e o utilitarismo abortista

Argumento: O feto é só um “negocinho”.

O absurdo da mente assassina parece não ter limites. Convencidos de que de uma gestação possa nascer um dragão de komôdo, os defensores da vilania apelam para um sentimento de proporção que não cabe nesta discussão. Ademais, esse argumento poderia facilmente ser adicionado ao primeiro texto que rebate a ideia de que feto não é pessoa, mas preferi separá-los por uma razão de conveniência.

Se por um lado o atrevimento assassino nega ao feto seu status de humanidade, apregoando que não é uma pessoa, de outro busca-se dizer que ele até pode até ser alguma coisa, porém algo insignificante. É isso que está por detrás da retórica do “amontoado de células”, ou “negocinho”.

Impossível não reconhecermos nesse tipo de postura a herança de um pensamento utilitarista. Os defensores do aborto podem não saber disso mas seus doutrinadores, professores universitários e intelectuais da matança bem o sabem. Porém, para azar destes, nós também sabemos.

O utilitarismo fundado por Jeremy Bentham e sequenciado por Stuart Mill, diz em linhas gerais que o objetivo da moral é maximizar a felicidade garantindo a prevalência do prazer sobre a dor. Assim, tudo aquilo que promover a utilidade será o correto a fazer, sendo útil tudo aquilo que promover a felicidade do maior número de pessoas afim de mitigar a dor.

Essa perspectiva utilitarista é proposta como princípio de ponderação e tomada de decisões. Cria uma condicionante de todas as condutas humanas. O problema é que se tudo aquilo que converge para evitar a dor for justificável do ponto de vista moral, teremos a sociedade do prazer altamente permissiva. Não é a toa que esse pano de fundo revele as intenções de quem deseja aniquilar outro ser por deleite e irresponsabilidade.

Outro ponto do utilitarismo, é a consideração do outro. Enquanto que Kant propõe que consideremos o outro em si mesmo, ou seja, enquanto ser humano, Mill propõe que consideremos o outro segundo sua utilidade. Assim, o “amontoado de células”, não tendo serventia alguma, pode facilmente ser descartado caso seu descarte resulte na promoção do bem comum.

O “negocinho” de que falam os canalhas é transformado no infortúnio, o agente causador de infelicidade e dor, fazendo jus a tamanha depreciação em forma de diminutivo. Deixa, por tamanha insignificância resultante dessa negligência, de remeter a um ser humano: complexo, digno de direitos e de mínima consideração. O negocinho é o piolho de crime e castigo, o ser insignificante passível de extirpação indolor.

Restam dúvidas quanto à mentalidade psicótica daqueles que endossam a descriminalização do aborto? Negar a humanidade de um ser é a principal justificativa daquele que deseja matá-lo. Ademais, que outra convicção há senão a de que “aquilo” no ventre, gerado do coito seja um ser humano, dotado de alma, espírito e vida? Alegar que um feto em determinado período não é um ser humano por não reunir características fisionômicas e biológicas identificáveis comum a todos os seres já nascidos e formados é uma completa desonestidade além de expressar o esforço gigantesco de tentar provar algo na contra mão das evidências, posto que um ser humano em formação é um ser humano em formação. Não é um piolho,um rato, uma formiga ou uma feminista (rs) em formação. É um ser humano, e não tratamos seres humanos com desdém em relação às suas vidas, pelo contrário. Toda sociedade minimamente saudável comunga da ideia de que a vida de um outro tem tanto valor quanto a minha. Quem, em sã consciência, deixaria de salvar um outro ser humano se a vida deste dependesse unicamente dessa disposição?

Reconhecemos o valor da vida humana intuitivamente. Nenhuma pessoa normal precisa de um pós doutorado para reconhecer que, em circunstâncias normais, a vida de um humano valerá sempre mais que a vida de outros seres vivos.

É claro que essa proposição se opõe ao pensamento utilitário e é justamente essa a intenção. É claro que a valorização do prazer como fundamento moral conduzirá, inevitavelmente, à busca pela satisfação a todo custo.

“Mill é a origem, ainda que os contemporâneos não saibam disso, de boa parte dos enganos e desenganos tanto das novas esquerdas quanto de certa crença cega no individualismo que se pretende libertário. Ora, na trilha de Mill, de um lado e de outro, vemos a pregação da soberania da vontade nas questões que, aparentemente ao menos, dizem respeito apenas à pessoa.” Reinaldo Azevedo.

De tudo que foi dito, depreende-se que se necessário for, desumanizar a figura do feto, atribuindo a este o status de “negocinho” para lhe obliterar a existência e produzir conforto espiritual e falta de pesar; então isso é moral porque produz felicidade. De outro modo, o fundamento utilitarista é o principal responsável pela ampla campanha de “conscientização” pelo direito de matar, pois, se a sociedade for convencida da conveniência e moralidade do aborto, logo, o aborto em si tornar-se-a um obstáculo à felicidade geral e ao bem comum, eis ai a culminação perversa do utilitarismo em serventia ao aborto, e que é a base principal de sua argumentação. Já sabemos que não é lá grande coisa…

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