Charlie Gard – A cultura da morte e o descarte da vida.

Charlie Gard, o bebê que será assassinado hoje (30.06) na Inglaterra tem 10 meses e nenhum direito a vida de acordo com a Justiça britânica. E este não é o primeiro caso.
A mesma Justiça britânica que negou o direito do suicídio assistido a adultos em estágio de doença terminal é a mesma que autoriza o assassinato de um bebê e permite a execução de abortos até a 24ª semana de gestação, onde bebês prematuros de 22 semanas de gestação sobrevivem sem maiores problemas

Clique aqui e veja o drama dos abortos que nasceram vivos.

 


O primeiro caso: Falta de oxigenação

O primeiro caso que se tem noticiado é o de 2015, onde uma bebê sofreu danos cerebrais irreversíveis ao ficar sem oxigenação durante o parto, realizado em um carro. (1)

Charlie Gard

Charlie tem uma forma de doença mitocondrial que causa o enfraquecimento progressivo dos músculos e danos cerebrais.

Charlie nasceu saudável, em agosto de 2016.

Aos 2 meses, foi internado com pneumonia por aspiração e seu quadro piorou muito rapidamente.
Os pais iniciaram uma campanha de arrecadação de donativos para levar o bebê aos Estados Unidos. Graças à solidariedade concreta de dezenas de milhares de pessoas, eles angariaram mais de 1,5 milhão de euros (equivalente a mais de 5,5 milhões de reais).

 

Charlie não poderá se submeter ao tratamento experimental

Apesar de todo o dinheiro arrecadado, a família não pode se agarrar ao último fio de esperança de um tratamento experimental nos Estados Unidos.
Não coube aos pais a decisão de vida ou morte do pequeno bebê.
A bizarra justiça do Reino Unido, e consequentemente da União Europeia, arrancou deles até o direito de tentar.

A opinião do Vaticano

“O caso do bebê, Charlie Gard e seus pais, significou tanto dor como esperança para todos nós. Nos sentimos perto dele, a sua mãe, seu pai e todos aqueles que o cuidaram e lutaram juntos com ele até agora. Para eles, e para aqueles que são chamados a decidir o seu futuro, elevamos ao Senhor da Vida nossas orações, sabendo que “no Senhor, nosso trabalho não será em vão” (ICor 15,58)

A Conferência Episcopal da Inglaterra e do País de Gales, emitiu hoje uma declaração que reconhece acima de tudo a complexidade da situação, a dor dos pais e os esforços de tantos para determinar o que é melhor para Charlie. A declaração dos Bispos também reafirma que ‘nunca devemos agir com a intenção deliberada de acabar com uma vida humana, incluindo a remoção de nutrição e hidratação, para que a morte seja alcançada’, mas que ‘nós, às vezes, devemos reconhecer as limitações do que pode ser feito, enquanto atuam sempre humanamente ao serviço da pessoa doente até o momento de sua morte natural’.

A questão adequada a ser levantada neste e em qualquer outro caso infelizmente é semelhante a esta: quais são os melhores interesses do paciente? Devemos fazer o que promove a saúde do paciente, mas devemos aceitar os limites da medicina e, como indicado no parágrafo 65 da Encíclica Evangelium Vitae, ‘evite procedimentos médicos agressivos que sejam desproporcionais em relação aos resultados esperados ou excessivamente onerosos para o paciente ou família. Do mesmo modo, os desejos dos pais devem ser ouvidos e respeitados, mas também devem ser ajudados a entender a dificuldade única de sua situação e não devem ser responsabilizados apenas por suas decisões. Se a relação entre o médico e o paciente – ou os pais, no caso do Charlie – é interferida, tudo se torna mais difícil e a ação legal se torna um último recurso.

Caro Charlie, queridos pais Chris Gard e Connie Yates, estamos rezando por você e com você.

+Vincenzo Paglia – Presidente

Cidade do Vaticano, 28 de junho de 2017″

Que Deus possa cuidar e dar conforto a toda família!” (3)

Lamentavelmente a Igreja, ao que parece, se curvou a cultura do descarte e da desvalorização da vida.
Lembrando que, em 01/09/2015, o Papa Francisco pediu que padres perdoem as mulheres que fizeram o aborto.

A lei britânica sobre o aborto:

Na Inglaterra, na Escócia e no País de Gales, é permitido fazer um aborto até a 24ª semana de gestação. No entanto, 90% dos procedimentos são feitos, no máximo, até a 13ª semana. Em casos excepcionais, em que houver risco de morte para a mulher, ainda é possível fazer o aborto depois da 24ª semana. (2)

A lei diz que nenhuma mulher é obrigada a levar a termo uma gravidez indesejada, caso seja atestado que isso é prejudicial à sua saúde física ou mental. No Reino Unido, à exceção da Irlanda do Norte, mesmo as menores de 16 anos podem pedir a interrupção da gravidez, mas, nesses casos, os profissionais de saúde vão aconselhar que os pais da jovem também participem da tomada de decisão.

Como é o processo?

O primeiro passo é procurar um centro de saúde do NHS – National Health Service, para uma consulta com um clínico geral. O médico vai fazer os testes iniciais e, depois, encaminhar a mulher para um ginecologista de um hospital público, onde o aborto será feito sem nenhum custo. Será necessário o aval de dois médicos para que tudo seja feito legalmente. Quanto mais cedo o procedimento for feito, mais seguro é o aborto para a mulher, por isso ela deve procurar atendimento o quanto antes. (2)

Além dos hospitais públicos, há clínicas legalizadas que fazem todo o procedimento, mas nelas o aborto não sai de graça. Até a 9ª semana de gravidez, a interrupção pode ser feita com pílula abortiva e custa cerca de 500 libras esterlinas. Depois da 19ª semana, um procedimento cirúrgico com anestesia geral sai por volta de 2.000 libras esterlinas.
O dinheiro doado
Todo o dinheiro angariado será usado para fundar uma associação com o nome de Charlie, voltada a ajudar outras crianças que sofram da mesma condição rara – e, pelo menos no caso delas, salvar a vida.

O juiz

O juiz Nicholas Francis disse que tomou a decisão “com a maior das tristezas”, mas com “a absoluta convicção” de estar fazendo o melhor para o bebê, que merece “uma morte digna”.

“Quero agradecer aos pais de Charlie por sua campanha valente e digna em seu nome, mas, principalmente, prestar homenagem à sua total dedicação ao seu maravilhoso filho, desde o dia em que nasceu”,

continuou o juiz.

Durante o julgamento, uma médica explicou que a criança já não ouve nem se mexe, e que está sofrendo desnecessariamente.

Os pais:

A notícia da sentença de morte de Charlie Gard foi recebido com um doloroso “NÃO” por partes dos pais.

Na quinta-feira, 29 de junho de 2017, Connie Yates e Chris Gard foram às redes sociais para dar ao mundo a notícia estarrecedora e dizerem que estavam passando as suas “últimas preciosas horas” com Charlie.

Eles não foram autorizados nem sequer a levar o filhinho para casa.

“Prometemos ao nosso pequeno que o levaríamos para casa“, conta Connie.

Chris Gard acrescentou: “Queríamos lhe dar um banho, em casa, colocá-lo num berço onde ele nunca dormiu e isto nos foi negado. Sabemos em que dia o nosso filho vai morrer e não temos direito a nenhuma palavra sobre o que vai acontecer“.

“Não nos permitem escolher se o nosso filho vive, nem escolher quando e onde o Charlie morre. Charlie vai morrer amanhã [sexta-feira] sabendo que foi amado por milhares… Obrigado a todos“, completaram Connie e Chris.

 

A cultura da morte e desumanização de fetos e bebês

É aterrador ver que a palavra final sobre a vida ou a morte de um ser humano foi assumida de modo ditatorial por tribunais, sobrepondo-se à vontade dos próprios pais do bebê que estavam lutando pela vida do filho com recursos particulares.

Um Pais que respeita o direito de uma mulher matar um bebê em seu próprio útero com o dinheiro do Estado é o mesmo que desrespeita a vontade dos pais de manter seu bebê vivo com seus próprios recursos.


Camila Abdo

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Referência:

1-)Revista Exame

2-)Elondres

3-)Instituto Bento XVI

 

Camila

About Camila Abdo

Jornalista (MTB - 0083932/SP; Associação Brasileira de Jornalista -ABJ- 2457) , com cursos nas áreas de jornalismo digital, jornal impresso, fundamentos do jornalismo, jornalismo investigativo, assessoria de imprensa e comunicação interna. Estudante de direito (Unip) e história (Anhanguera), possuo diversos cursos de especialização na área de psicologia/psicopatologia, entre eles: urgências psiquiátricas, perícias criminais, psicopatologia da infância e adolescência, transtornos de personalidade, terapia cognitivo-comportamental, psicanálise: teoria e técnica, gestalt terapia, criminologia, sexualidade - normal e patológica, psicofarmacologia, psicologia forense, neuroanatomia, abuso sexual infantil, predadores sexuais, psicologia social e violência doméstica, enfermagem em saúde mental, medicina legal e psicologia penitenciária. Certificado INBOUND pela HUBSPOT ACADEMY. Meu canal: https://www.youtube.com/c/CamilaAbdoCalvo

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