Bullying e suicídio. 13 reasons why(Vídeos)

Por trás da serie 13 reasons why. Ouça o que a psicologa, psiquiatra e toda a esquipe pensam sobre a série

Parte 1

 

Parte 2






Pela memória de todas as crianças e adolescentes que morreram pela omissão das autoridades escolares e da sociedade.

A série da NetFlix “13 reasons why” que vem ocupando os primeiros lugares a semanas, conta a história de uma menina de 17 anos, Hannah, nova na cidade que cometeu suicídio. Antes de fazê-lo ela grava 13 fitas, explicando tudo o que a levou cometer o ato e apontando a responsabilidade de cada pessoa em sua decisão.

Hannah buscava se integrar a um grupo, como todo adolescente e viveu paixões passageiras e intensas.

Tudo começa quando Hannah se apaixona por Justin, um dos populares do colégio e jogar do time de destaque. Seu primeiro beijo ocorre em um parquinho de recreação e, ao descer pelo escorregador, Justin tira uma foto em que mostra Hannah deitada e sua peça intima a mostra.

Mostra a foto para Bryce, seu melhor amigo e destaque do time. Bryce espalha a foto pelo colégio.

Logo na sequência, Alex, revoltado com o término do namoro com Jéssica, melhor amiga de Hannah, espalha a mentira que ele e Hannah ficaram e faz uma lista em que coloca Hannah como a melhor “bunda” do colégio e Jéssica “a pior”.

E com esses dois fatos, Hannah passa a sofrer assédio sexual, verbal e psicológico.

Mas, não foram as palavras que levaram Hannah ao suicídio, foram as atitudes. O tapa na cara, a humilhação, a inadequação. As passadas de mão na “bunda”, o estupro violento e a solidão. Assistir ao estupro da amiga e não fazer nada.

Sua intimidade foi brutalmente violada e, quem deveria incentiva-la a denunciar, disse para ela “esqueça isso e siga em frente”.

Um conjunto de violações e agressões físicas e psicológicas que se estendeu por 2 anos, sem conseguir uma ajuda efetiva.

Mas essa não é só uma história de ficção. Um seriado que se tornou viral entre os adolescentes. Essa é uma história real, que leva muitos jovens a tirarem a própria vida.

A reflexão proposta pela série se torna relevante diante da constatação: Hannah não existe somente na ficção. O suicídio é um problema de saúde pública, mas ainda visto como tabu social. Na Região Metropolitana do Recife, por exemplo, jovens do sexo feminino estão entre as ocorrências mais frequentes de tentativas de acabar com a própria vida, segundo estudo recente das médicas e pesquisadoras Bárbara Marcela Beringuel e Marília Teixeira de Siqueira (a última do Centro de Assistência Toxicológica de Pernambuco). O levantamento aponta que há “predominância do sexo feminino (66,9%), jovens (31,8%), de baixa escolaridade (59,2%), de cor parda (94,4%) e na condição de empregados (69,4%)”.

O bullying não é uma brincadeira inocente. Ele envergonha, humilha e isola. Machucar alguém, física ou emocionalmente, nunca é engraçado e deve ser visto com seriedade. Separar as pessoas por aparência física, aproveitamento escolar, financeiramente, raça, etc não é divertido e muito menos saudável.

No caso de mulheres que se envolvem em casamentos agressivos, muitas relatam passividade frente ao bullying que sofreram no colégio.

O bullying impacta profundamente a vida do adolescente ainda em formação psicológica, podendo prejudica-lo em diversos campos para o resto de sua vida.



O QUE OS ATORES DA SÉRIE FALARAM SOBRE O TEMA:

 

Baleia Azul

Um jogo com 50 desafios que começou na Rússia, onde o último item é o suicídio. Nos últimos 2 anos, o jogo se estendeu pela Europa, finalmente chegando ao Brasil. Os adolescentes são previamente selecionados para participar de 50 desafios, cumprindo tarefas que incluem escrever frases e fazer desenhos com lâminas na palma da mão e nos braços, assistir a filmes de terror de madrugada, subir no alto de um telhado ou edifício, escutar músicas depressivas, mutilar partes do corpo. A última é tirar a própria vida.

Ao menos três Estados brasileiros (Mato Grosso, Minas Gerais e Paraíba) estão investigando casos de suicídio e de mutilações relacionadas ao jogo.

Em Vila Rica (MT), uma menina de 16 anos cometeu suicídio na terça (11). Segundo a polícia, ela deixou duas cartas onde falava sobre as regras e a cronologia das ações a serem cumpridas e também apresentava alguns cortes nos braços e coxas.

À revista “Veja”, a mãe da garota relatou que a filha havia mudado de comportamento nos últimos dois meses e que encontrou um papel em que a estudante havia escrito com a própria letra regras a serem cumpridas, como abrace os seus pais e diga a eles que os ama; peça desculpas e tire a sua vida. O documento está com a polícia.

Em Pará de Minas (MG), a polícia investiga a morte de um jovem de 19 anos, na última quarta (12), que, segundo a família, também estava participando do Baleia Azul. À polícia, a mãe do rapaz relatou que ele vinha tentando deixar o grupo, vinculado ao jogo, mas sofria uma pressão muito grande e nos últimos dias agia de forma estranha.

Afirmou ainda que ele já tinha cumprido alguns desafios, como tirar uma fotografia assistindo a um filme de terror, filmar a ele mesmo no alto de um edifício e chegou a se cortar tentando desenhar uma baleia no braço com uma lâmina de barbear quebrada, desafio que não terminou. O rapaz era casado e tinha uma filha recém-nascida.

A Polícia Civil mineira, que investiga o caso, diz que o grupo que o jovem participava está sendo investigado e foram encontrados participantes com idades entre 10 e 20 anos de todos os Estados brasileiros.

Na Paraíba, o setor de inteligência da Polícia Militar abriu na terça-feira (11) uma investigação para apurar a participação de estudantes de João Pessoa no desafio da Baleia Azul. As denúncias são de que alunos de uma escola da capital estariam participando do grupo e já teriam realizado de automutilação.

Esses adolescentes já tem uma propensão ao suicídio, já estão mentalmente abalados e precisam de ajuda. Precisam ser ouvidos.

 

 




Tiroteios em escolas americanas (os atiradores justificaram o bullying como estimulo para tal atrocidade)

 

Columbine – 1999

O ataque na Columbine High School, em Littleton, no Colorado, se tornou um dos massacres escolares mais famosos da História, e inspirou o documentário “Tiros em Columbine”, do cineasta Michael Moore, premiado com o Oscar em 2003, e o longa “Elefante”, do cineasta Gus Van Sant, vencedor da Palma de Ouro no fetsival de Cannes no mesmo ano.

Na manhã de 20 de abril de 1999, Eric Harris, de 18 anos, e Dylan Klebold, de 17, mataram 12 estudantes e um professor. Outras 27 pessoas ficaram feridas durante o ataque, que terminou após 45 minutos, com o suicídio de Harris e Klebold.

Red Lake – 2005

Após matar seu avô e a namorada dele, o jovem Jeffrey Weise, de 16 anos, seguiu para a escola onde estudava, na reserva indígena Red Lake, em Minnesota, e iniciou um tiroteio que deixou nove mortos e cinco feridos em 21 de março de 2005.

Antes do massacre, em comentários na internet Weise descreveu a reserva como “um lugar em que as pessoas escolhem o álcool em vez da amizade”, e expressou admiração pelo líder nazista Adolf Hitler. O atirador, que havia tentado cometer suicídio em duas ocasiões, morreu ao disparar um tiro de espingarda contra o próprio queixo depois de ser atingido por policiais.

Virginia Tech – 2007

Na manhã de 16 de abril de 2007, o estudante sul-coreano Seung-Hui Cho, de 23 anos, abriu fogo no campus do Instituto Politécnico da Virginia, em Blacksburg, matando 32 pessoas e ferindo outras 17. Na adolescência, Cho havia sido diagnosticado com problemas de ansiedade, e foi acusado de perseguir duas estudantes no campus.

Após duas horas de tiroteio, que resultaram na morte de 23 estudantes e cinco professores, Cho se suicidou com um tiro na cabeça.

Oikos University – 2012

O tiroteio na Oikos University, uma universidade coreana cristã de Oakland, na Califórnia, deixou sete mortos e três feridos na manhã de 2 de abril de 2012. A ação durou cerca de três minutos. Armado com uma pistola calibre 45, o atirador, identificado como One L. Goh, ex-aluno da universidade, entrou numa aula de enfermagem e abriu fogo contra estudantes antes de fugir no carro de uma das vítimas.

Horas mais tarde, Goh – posteriormente diagnosticado com esquizofrenia – se entregou às autoridades em Alameda, a oito quilômetros de Oakland. Ele aguarda julgamento e pode ser condenado à pena de morte.

Cleveland, Ohio – 2012

Em 27 de fevereiro de 2012, TJ Lane, um jovem de 17 anos, matou três adolescentes em um ataque na cafeteria da escola de ensino médio Chardon, em Cleveland, no estado de Ohio. Lane foi condenado à prisão perpétua sem possibilidade de condicional em março de 2013.

Sandy Hook – 2013

O massacre na escola primária de Sandy Hook, em Newtown, no estado de Connecticut, reacendeu a discussão sobre o controle da venda de armas de fogo nos Estados Unidos, e levou à criação de uma proposta que intensificaria a verificação de antecedentes nas vendas de armas. A proposta foi reprovada no Senado, um resultado que o presidente americano Barack Obama descreveu como “vergonhoso”.

O massacre de Sandy Hook aconteceu no dia 14 de dezembro de 2013. Após assassinar sua mãe, Adam Lanza, de 20 anos, matou 20 crianças entre 6 e 7 anos na escola primária em que havia estudado na infância, além de seis funcionários da escola.

Seattle, Estado de Washington – 2014

Em 24 de outubro de 2014, três pessoas morreram após estudante disparar seis tiros no refeitório do colégio Marysville-Pilchuck. Jaylen Ray Fryberg era um aluno popular que havido sido eleito rei do baile da escola na semana anterior. O ataque deixou quatro feridos e dois mortos, incluindo o atirador.

Seattle, Estado de Washington – 2014

Em 5 de junho de 2014, uma pessoa morreu e três ficaram depois que um homem abriu fogo no campus da Universidade do Pacífico. Os estudantes foram alertados que havia um atirador no campus por meio de uma mensagem de texto, enviada em massa pela administração. O suspeito foi preso no local.

Roseburg, Oregon – 2015

Em 1º de outubro 2015, Chris Harper Mercer, de 26 anos, matou nove pessoas na Universidade de Umpqua, em Roseburg, zona rural do Oregon. Mercer , que portava três armas – uma delas era um fuzil automático – morreu em tiroteio com a polícia logo após o ataque.

Townville, Carolina do Sul – 2016

Em 28 de setembro de 2016, um atirador de 14 anos invadiu a escola primária Townville Elementary School, na Carolina do Sul, e atingiu três crianças. Jacob Hall, de 6 anos, foi morto no ataque. Antes de invadir o terreno da escola, o jovem também matou o pai, Jeffrey Osborne, de 47 anos. O atirador foi detido pela polícia.

Alpine, Texas – 2016

Em 9 de setembro de 2016, depois de atirar em uma colega no banheiro da escola, uma aluna de 14 anos se matou na Alpine High School, no estado do Texas. A atiradora planejada matar seu meio-irmão, que frequentava a mesma escola. A aluna que foi vítima do tiro foi escolhida aleatoriamente e sobreviveu ao ataque.

Glendale, Arizona – 2016

Em 12 de fevereiro de 2016, duas alunas foram mortas em uma escola de ensino médio Independence High School, em Glendale, no estado do Arizona. As adolescentes, de 15 anos, foram encontradas mortas próximas a lanchonete da escola, com uma arma jogada no chão. A suspeita da polícia é que tenha sido um assassinato seguido de suicídio.

 




Um caso real que virou filme:

Dina Van Cleve, uma adolescente do ensino médio, linda, com excelentes notas e estrela do time, envia suas fotos nua para seu namorado para agrada-lo. Porém, a amiga, com inveja da popularidade de Dina tem acesso as fotos e envia para o celular de todos no colégio, se tornando viral. Os alunos a reconhecem e a tortura – real e virtual – começam. Seus amigos se afastam, o namorado a abandona e os ataques se intensificam cada vez mais. Até que o pior acontece: Dina comete suicídio.

Sua mãe empreende uma verdadeira investigação para saber o que levou a filha a tomar tal atitude, buscando implacavelmente pela verdade.

 

Durante a investigação, sua mãe descobre um vídeo-diário, em que a filha desabafa todas as agressões sofridas imposta por todos os seus amigos, inclusive pela melhor amiga, que a traiu para ficar com a sua vaga no time da escola.

 

Agressões físicas e psicológicas, incluindo a depredação de sua residência, o filme nos faz refletir a forma como tratamos as pessoas e como podemos feri-las irremediavelmente.

 

Porém, diferente da personagem fictícia Hannah Baker, a pessoa que deu início a derrocada e posterior suicídio de Dina foi responsabilizada, julgada e condenada por divulgação de pornografia infantil.




Mais casos reais mostrados em um único documentário: “Bullying”

“Bullying” é um inquietante documentário do diretor norte-americano Lee Hirsch. É um documentário extremamente oportuno.

Trata de um dos temas mais complexos do mundo atual: o bullying nas escolas cuja violência está assumindo uma proporção inimaginável, produzindo inclusive vítimas fatais.

Como podemos ver no vídeo acima, a diretora envergonha a vítima ao invés de punir o agressor

É com precisão cirúrgica que o documentarista escolhe seus cinco casos emblemáticos, em quatro Estados norte-americanos, acompanhando-os ao longo de um ano.

 

Tyler Long, um adolescente bonito e inteligente, de 17 anos, amado pelos pais, bem-sucedido nos estudos e no esporte, se suicidou por conta da pressão insuportável do assédio de colegas. Assédio que se traduz em ofensas, pancadas e humilhações numa escalada que parece incontrolável, especialmente porque tem prosseguimento fora dos muros das escolas.

 

Kelby Johnson, 16 anos, Oklahoma. Assumiu ser homossexual. Tal revelação deu início a uma perseguição por parte dos colegas.

Inclusive a escola de Kelby, ao que tudo indica, impediu a sua inclusão numa lista de candidatos a bolsas a partir do talento esportivo.

Tal perseguição forçou Kelby e sua família mudarem de cidade para um novo começo.

 

Ty Smalley, 11 anos, Oklahoma, se suicidou pela tirânica perseguição de seus colegas. Neste segmento do filme, um depoimento comovente é dado por seu melhor amigo, um garoto da mesma idade que comenta ter sido ele mesmo violento com outros colegas no passado.

 

Ja’Meya Jackson, 14 anos, Mississippi, uma boa aluna de conduta irrepreensível– foi detida numa prisão juvenil. Espera o julgamento por ter mostrado um revólver dentro do ônibus escolar cheio, em que vários passageiros eram os colegas que há vários meses a atormentavam de todo jeito. Ela foi responsabilizada por 45 tentativas de assassinato – o número de alunos a bordo do ônibus – de acordo com o xerife local. Sua mãe credita o excesso de rigor do xerife ao fato de a menina ser negra, num Estado com um histórico complicado em termos de relações raciais.

 

Alex, 14 anos, Iowa, é diariamente submetido a constrangimentos de tal impiedade no trajeto do ônibus escolar, que levam o documentarista a compartilhar as imagens filmadas com seus pais e com a diretora da escola. O caso de Alex é emblemático também no sentido de que o menino, bastante solitário, sente que, apesar das brincadeiras abusivas, os colegas que as praticam são os “únicos amigos” que ele tem.

Alex tem dificuldade de aprendizado e dificuldade de se socializar por traumas causados no parto prematuro. É um milagre Alex ter sobrevivido.

 

“Bullying” não se limita a expor os casos. Ele nos transporta para o sofrimento de cada uma das vítimas, e nos induz a fazer parte de um movimento de resistência a esses impulsos violentos e desumanizadores cujas raízes estão certamente fincadas na sociedade, e que transformam a vida escolar num pesadelo ao qual alguns não sobrevivem.

LUTE POR QUEM SE CALA






Camila

About Camila Abdo

Jornalista (MTB - 0083932/SP; Associação Brasileira de Jornalista -ABJ- 2457) , com cursos nas áreas de jornalismo digital, jornal impresso, fundamentos do jornalismo, jornalismo investigativo, assessoria de imprensa e comunicação interna. Estudante de direito (Unip) e história (Anhanguera), possuo diversos cursos de especialização na área de psicologia/psicopatologia, entre eles: urgências psiquiátricas, perícias criminais, psicopatologia da infância e adolescência, transtornos de personalidade, terapia cognitivo-comportamental, psicanálise: teoria e técnica, gestalt terapia, criminologia, sexualidade - normal e patológica, psicofarmacologia, psicologia forense, neuroanatomia, abuso sexual infantil, predadores sexuais, psicologia social e violência doméstica, enfermagem em saúde mental, medicina legal e psicologia penitenciária. Certificado INBOUND pela HUBSPOT ACADEMY. Meu canal: https://www.youtube.com/c/CamilaAbdoCalvo

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