O Top 10 dos “islamofóbicos” (bugando a cabeça do multiculturalismo)

A quantidade de mentiras sobre o Islã que os islamofóbicos de direita contam alcançou níveis estratosféricos neste verão. A última moda é mentir sobre o significado do termo jihad, dizendo que a palavra quer dizer uma guerra cruel contra os não-muçulmanos. Nem sempre esses infelizes são um Zé Ninguém. Muitas vezes, são pessoas eminentes cujas mentiras têm sido postas em livros, vendidos em livrarias mundo afora.

Decidimos, então, expor alguns desses intolerantes que espalham seu medo pelo Islã e ódio contra os muçulmanos – decidimos mostrar o que eles dizem e onde encontrar seus trabalhos publicados. Vamos fazer com que nossa voz seja ouvida e conseguir banir esses livros, em nome da liberdade!

#10
“Jihad significa guerra contra os não-muçulmanos e é etimologicamente derivada da palavra mujahada, que significa guerra para impor a religião.”1

Sheikh al-Misri: esse islamofóbico nasceu no século XIV e é famoso por ser o escritor do clássico manual sunita de jurisprudência da escola Shafii [nota do tradutor: o manual é o Reliance of the traveller]. Essa passagem foi retirada de seu livro, que pode ser encontrado na Amazon e em outras livrarias virtuais. Mãos em seus notebooks, e vamos ver esse livro banido!

#9
“E é (permitido) independentemente se a batalha começou ou não, porque o profeta […] não esperou até que a batalha começasse para juntar-se ao fogo [das manganelasa].”2

Sheikh Ibn Qudama: esse famoso islamofóbico árabe viveu nos dias de tolerância islâmica do século XIII e ainda é reverenciado pelo Islã sunita como um dos mais influentes pensadores e juristas da escola hanbalita de jurisprudência. Ainda é chamado de “o sheikh do Islã”. A maioria dos livros está disponível em árabe, mas o seguro morreu de velho: vamos comprá-los e queimá-los, defensores da liberdade!

 

#8
“Guerra contra os infiéis que vivem em seu próprio país é uma obrigação comum, isto é, se um número suficiente de muçulmanos a realizarem, os outros [muçulmanos] podem legalmente ficar em casa”3

Sheikh Al-Nawawi: esse erudito muçulmano do século XIII, que viveu em Damasco a maior parte de sua vida, é famoso por escrever muitos livros extensos de jurisprudência islâmica durante o período clássico da religião. Ele ainda hoje é considerado um dos mais influentes escritores da escola Shafii. Os livros desse cara estão em todos os lugares!  Vamos tirá-los de circulação ou bani-los da vista do público!

#7
“Eu perguntei: seria permitido inundar uma cidade no território inimigo, queimá-la ou atacar (sua população) com manganela, ainda que haja escravos, mulheres, velhos e crianças intramuros?
Ele respondeu: sim, eu aprovaria se fizessem todas essas coisas.”
4

Abu Hanifa: hanafi, a mais popular escola jurídica, desnuda sua islamofobia. As palavras de Hanifa, anotadas pelos seus estudantes no início do século oitavo, são cruciais para a mencionada madhabb e tem sido tremendamente influente durante quase toda a existência do Islã. Hoje ainda, um dos seus títulos numa vertente mainstream do Islã é “o grande Imam”. Os muçulmanos tiveram um cuidado especial com seus textos a fim de preservar o máximo possível porque ele fora um dos grandes eruditos do Islã durante o período de formação da religião.

 

#6
“[sura 2:193] É um comando desqualificado lutar sem qualquer pré-condição de hostilidades iniciadas pelos incrédulos.”5 (indicação da sura pelo autor do artigo)

Al-Qurtubi (em comentário à sura 2:193):
“E combatei-os, até que não mais haja sedição pela idolatria [fitna] e que a religião seja de Allah”c.

Esse famoso erudito islamofóbico caminhou sobre a Terra durante a era de ouro do Islã. Al-Qurtubi viveu primeiramente na invadida Espanha muçulmana, dirigindo-se depois ao que hoje é o Egito após os espanhóis terem ousado reconquistar sua terra. Ele é muito conhecido por seu influente comentário sobre o alcorão como um todo, embora fosse também um expert em lei islâmica. Queres te apossar de seu trabalho? Em qualquer grande livraria.

 

#5
“Por que travar guerra? Os juristas muçulmanos concordaram que o propósito de lutar contra o povo do livro, excluindo o (coraixitas) povo do livro e os cristãos árabes, é: ou pela conversão ao Islã ou pelo pagamento de jizya.”6

Ibn Rushd: esse islamofóbico é bem conhecido no Ocidente pelo nome de Averróis. Além de filósofo, era também um jurista maliki muito bem treinado – maliki é uma outra escola de jurisprudência islâmica das mais mainstream. Ele escreveu um livro comparando as opiniões das quatro principais escolas de pensamento do Islã sunita, o qual é ainda hoje considerado o grande material de estudo para o estudante de jurisprudência islâmica. Seus livros estão disponíveis em todos os lugares pelo mundo, então, é fácil encontrá-los.

 

#4
“Se eles ainda se recusarem a aceitar (o Islã) após isso, a guerra deve ser lançada e eles serão tratados como aqueles a quem o chamado alcançou.”(texto entre parênteses do autor)

Al-Mawardi: esse notório islamofóbico do século XI é considerado um peso pesado em assuntos legais, particularmente relacionado ao califado do Islã. Seu livro sobre governança islâmica foi muito influente no Islã mainstream, especialmente em seu tempo, e, de acordo com alguns, ele deveria ser conhecido como o primeiro cientista político islâmico, devido a seu enfoque minucioso sobre o “espírito imperialista” [empire-mindedness], que era forte durante o tempo de força islâmica.

 

#3
“Portanto, os muçulmanos não têm permissão para honrar o povo dhimmahd ou elevá-los acima de muçulmanos, pois são miseráveis, desgraçados e humilhados.”8

Sheikh Ibn Kathir (comentando a sura 9:29 do alcorão): a islamofobia é forte nesse aqui. Ibn Kathir é considerado um dos melhores comentadores do alcorão, sua exegese é tão clara e sapiencial, de acordo com a tradição muçulmana, que um estudante do alcorão é sempre fortemente aconselhado a familiarizar-se com essa Tafsir. Não é surpresa, portanto, que seu trabalho seja encontrado em qualquer lugar. Sabemos o que deve ser feito!

 

#2
“Por Allah, eu nada encontrei senão o fato de que Allah abrira o coração de Abu Bakr para (percebendo a justificativa de) lutar (contra aqueles que se recusavam a pagar zakat) e eu reconheci plenamente que (o posicionamento de Abu Bakr) estava certo.”9

Umar ibn Al-Khattab: esse islamofóbico era amigo pessoal de Muhammad (ou Maomé), o profeta do Islã, e tornou-se o segundo sucessor de seu mestre como califa da comunidade islâmica no século sétimo. Quando pronunciou as palavras acima, ele fazia referência ao primeiro sucessor e sogro de Muhammad, chamado Abu Bakr. Ele travou uma guerra contra um povo que aparentemente se tornara hipócrita (falsos muçulmanos) ao recusar lhe pagar a caridade islâmica (zakat). A fonte para essa citação é autêntica, segundo todos os eruditos muçulmanos: a coleção de hadiths de Sahih Muslim.

 

#1
“Qual é a melhor jihad? (Aquela de um homem) cujo sangue é derramado e seu cavalo é ferido.”10

Muhammad (Maomé, o profeta do Islã): esse islamofóbico, que ousa afirmar que a melhor jihad é aquela em que um homem derrama seu sangue e fere seu cavalo em batalha, calha ser o fundador do Islã. A narrativa em que esse discurso é encontrado é de um grau de autenticidade mais alto do que o da famosa hadith em que se registra o profeta dizer que a guerra é a “jihad menor”.  De fato, o texto tem o mais alto grau de classificação de autenticidade existente. Se se quiser encontrar mais uma centena de pronunciamentos islamofóbicos em que Muhammad fala sobre guerra ofensiva, basta vasculhar as fontes, e o profeta será visto a dizer coisas como:

“Eu recebi ordens para lutar com o povo até que eles digam: ‘ninguém tem o direito de ser adorado, exceto Allah’, e quem quer que diga que ‘ninguém tem o direito de ser adorado, exceto Allah’ terá sua vida e propriedade salvas por mim, exceto pela lei islâmica, e a sua conta será acertada por Allah.”11

Esse Muhammad, que não tem PhD em coisa alguma, também disse isto:

“Um único esforço (de luta) na Causa de Allah, pela manhã ou à tarde, é melhor do que o mundo e o que quer que esteja nele.”12

Então, lá vem ele com aquela retórica islamofóbica:

“A pessoa que participa da (batalhas sagradas) causa de Allah, e nada a força a tomar esse caminho senão a crença em Allah e em seu apóstolo, será recompensada por Allah com prêmio ou butim (se morto em batalha como um mártir). Não tivesse eu achado difícil para meus seguidores, então, eu não ficaria para trás de qualquer sariyae indo para a jihad e eu teria amado ser martirizado na causa de Allah e depois ressuscitado, e depois martirizado, e depois revivido e novamente martirizado pela Sua causa.”13

Se o mais forte desejo desse islamofóbico era ser mártir e morrer na jihad por Allah, como esperar que seus seguidores não tenham sonhos de martírio? Os desdobramentos das palavras desse fanático serão terríveis se permitirmos que existam. Façamos um esforço concentrado para banir a retórica islamofóbica de Muhammad antes que as pessoas o tomem por uma autoridade e tenham a louca idéia de pôr em prática suas palavras.

Certamente, não há razão para acreditarmos que esses fanáticos islamofóbicos estejam a falar a verdade sobre o Islã. Nós sabemos que o Islã é e pode ser visto como pacífico. Erudito algum do Islã sugeriu que a jihad é uma guerra santa ou qualquer outra coisa que possa ser enfiada goela abaixo do infiel independentemente de sua atitude diante do Islã. Não há ordem de Muhammad ensinando-nos a lutar contra os povos até que todos declarem que somente Allah deva ser adorado, afinal, todos sabemos que religião alguma ensina o ódio contra outros coleguinhas seres humanos em decorrência de sua fé.

 

Aviso legal
Todas as citações neste artigo são 100% factuais e atribuídas às pessoas que as escreveram. Todavia, talvez tenhamos de explicar para alguns o óbvio sarcasmo em nosso estudo. Isso é para mostrar às pessoas que a definição de islamofobia é tão ridícula que aqueles nos acusam não podem ser considerados intelectualmente honestos. Se alguém é tachado de islamofóbico por considerar a jihad também uma guerra ofensiva com o objetivo de espalhar o Islã, então, os famosos e eruditos mainstream que o Islã conheceu durante toda a sua existência são islamofóbicos, incluindo aqui o próprio profeta do Islã.

Não há dúvida de que os chamados extremistas de hoje receberam de algum lugar suas idéias teológicas sobre jihad, sobre como construir um império e tornar o mundo inteiro islâmico. Tais idéias não foram inventadas na era moderna do Islã. A herança dos períodos formativo e clássico do Islã, além dos muitos intelectuais que apareceram, os ensinou sobre tudo isso.

Isso não quer dizer que os extremistas de hoje sejam necessariamente os mais puros muçulmanos que seguem tudo ao pé da letra. Contudo, em relação ao fenômeno jihad, que atualmente está no centro do debate público, não deve haver dúvidas de que pessoas como Linda Sarsour e Qasim Rashidf estão presenteando seus respectivos públicos com um retrato distorcido do que o Islã tem sido por séculos – e ainda é para muitos.

A tarefa de retratar o Islã como pacífico é simples para qualquer um que assim desejar: focar somente nos Ayat [versos] e ahadith escolhidos a dedo para que as pessoas possam conferir suas afirmações e ver que estão corretas. Só que isso não pode ser feito quando as pessoas têm uma visão de conjunto das mesmas fontes islâmicas usadas por aquele que deseja apresentar o Islã como pacífico. Defensores do Islã no Ocidente deveriam reconhecer que, para cada fonte apresentada, sempre há alguém em condições de trazer uma outra que os contradiga. Para serem intelectualmente honestos, eles devem, no mínimo, nos explicar como sentem que isso pode ser harmonizado com sua proposta em vez de negar sua existência.

O fato de termos citado renomados estudantes do Islã como esses, os quais definiram suas conclusões após harmonizar todas as fontes, torna improvável que tal explicação seja feita de maneira convincente, como aliás o mundo tem visto nos últimos vinte anos.

Referências:
[1] Ahmad Ibn Naqib Al-Misri, Umdat as-Salik wa ‘Uddat an-Nasik, vertaling: Reliance of the Traveler, translation by Sheik Nuh Ha Mim Keller, p. 599 (o9.0).

[2] Ibn Qudãma, al-Mughni, vol. XIII, pp. 138-140, 141-142 as translated by Nesrine Badawi in ‘Religion, War, and Ethics, pp. 338

[3] Al-Nawawi, Minhaj et Talibin; a manual of Muhammadan law according to the school of Shafi, translated by L.W.C. van den Berg en E.C. Howard, p. 457

[4] Khadduri, Majid, The Islãic Law of Nations: Shaybani’s Siyar, pp. 101-102

[5] Al-Qurtubi; Tafsir; Classical Commentary of the Quran, translated by Aisha Bewley; volume  I, pp. 496

[6] Ibn Rushd, Bidayat Al-Mujtahid, translated by Professor Imran Ahsan Khan Nyazee, volume I, pp. 464

[7] Al-Mawardi, Al-Ahkam As-Sultaniyyah, The Laws of Islãic Governance, translated by Asadullah Yate PhD, pp. 60

[8] Tafsir Ibn Kathir; his commentary on Surah 9 verse 29; translation taken from qtafsir.com; link

[9] Sahih Muslim, Book 1, hadith 29; link

[10] Sunan Ibn Majah, Book 24 (“Chapters on Jihad”), hadith 2794; link

[11] Sahih al Bukhari, Book 52 (“the book of Jihad”), hadith 196; link

[12] Sahih al Bukhari, Book 52 (“the book of Jihad”), hadith 50; link

[13] Sahih al Bukhari, Book 2, hadith 35; link


Notas do tradutor, Rafael Stoll:

[a] Manganela: um tipo de catapulta ou máquina de sítio usada na era medieval.

[b] Madhab: a escola de jurisprudência islâmica. Havia inúmeras escolas de jurisprudência islâmica até os 150 anos iniciais do Islã. Atualmente, existem seis escolas: quatro sunitas, que são hanafi, maliki, shafii, hanbali; duas xiitas: zaidi e ja’fari.

[c] Todas as citações do alcorão são da versão do dr. Helmi Nasr, “Tradução do sentido do nobre alcorão para a língua portuguesa”, 2ª edição.

[d] Dhimmi: súdito não-muçulmano regido, inicialmente, pelo pacto de Umar. Para mais informações sobre o conceito e o destino dos dhimmis sob o Islã, ver Bat Ye’or, “The Decline of Eastern Christianity Under Islã: From Jihad to Dhimmitude: Seventh-Twentieth Century”. Fairleigh Dickinson University Press.

[e] Sariya: expedição, batalha, disputa casual, em que o profeta enviava seu sahaba (companheiros), sem do evento participar.

[f] Linda Sarsour é muçulmana nascida nos Estados Unidos; Qasim Rashid é muçulmano nascido no Paquistão. Apesar de toda literatura islâmica tratar jihad como guerra militar, ambos a apresentam como algo inofensivo, além, é claro, de pronunciarem discursos polêmicos – Linda Sarsour: http://www.breitbart.com/big-government/2017/07/11/linda-sarsour-defends-call-for-jihad-against-president-trump/

E uma análise sobre o discurso de Qasim Rashid: http://www.breitbart.com/big-journalism/2015/05/27/opinion-what-qasim-rashid-doesnt-want-you-to-know-about-Islã/

Postado no site http://midiasemmascara.org/artigos/globalismo/o-top-10-dos-islamofobicos/

Publicado originalmente em http://deovolentenl.nl/Islãophobe-top-10/

One thought on “O Top 10 dos “islamofóbicos” (bugando a cabeça do multiculturalismo)

  1. FODA-SE O ISLA ESSA DESGRAÇA MATA

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