O dia em que eu li algo que preste no G1 (sobre a Dona Regina)

Quem diria, nesse Domingo, 08/10/2017, às 12:31, Luciano Trigo escreveu um excelente artigo falando sobre a brilhante participação da Dona Regina no programa “Encontro com Fátima Feminazis, ops, Bernardes. Exatamente isso, o cara teceu elogios para a senhorinha que calou os “artistas” que estavam presentes. Eu temo que a Globo delete esse texto ou que eles demitam o Luciano, por isso eu estou colocando o texto aqui para que ele possa ter vida longa.

Segue o texto:

Carta aberta à Dona Regina

Não sei como chegou até a senhora a notícia da performance no Museu de Arte de Moderna de São Paulo, na qual uma menina de 5 anos foi estimulada pela mãe a interagir fisicamente com um homem adulto nu – para deleite de uma plateia de adultos vestidos. Também não faço ideia de como a senhora foi parar na plateia de um programa televisivo cuja intenção não parecia ser expor diferentes pontos de vista sobre o episódio, mas sim reforçar um pensamento único e um julgamento sumário – o de desqualificar qualquer crítica à performance como “censura”.

O que eu sei é que a senhora entendeu algo que passou despercebido ao discurso hegemônico dos intelectuais e artistas que se manifestaram sobre o caso: o problema da performance não estava na nudez; o problema da performance não estava nas fronteiras da definição do que é arte; o problema da performance não estava no uso de recursos públicos. Com uma só palavra a senhora desmontou a fala daqueles que, de maneira sincera ou falsa, insistiam nesses pontos: a palavra foi “criança”.

Talvez a senhora não se dê conta da importância da sua manifestação. Com seu jeito simples, o que a senhora fez foi revelar o abismo crescente que se cava entre os brasileiros comuns e a classe que pretende falar em seu nome. Esses brasileiros não se chocam com a nudez nem estão interessados na arte das elites pensantes e falantes, até porque têm mais o que fazer. Mas, para esses brasileiros, a infância é uma fronteira que não pode ser ultrapassada. O que a senhora fez foi vocalizar o desconforto do Brasil real diante desse limite que foi desrespeitado.

A reação dos apresentadores foi reveladora desse abismo. Diante de uma idosa que poderia ser a mãe ou avó querida de qualquer espectador, as expressões e olhares foram de: perplexidade, ódio, desprezo, deboche. E a senhora respondeu com um olhar de bondade, sereno e doce. Ao “Não vou nem comentar” emitido com ar de desdém e superioridade moral, a senhora respondeu com a paciência de quem não se incomoda em explicar o óbvio: o choque não vinha da nudez do adulto, vinha da exposição da criança. E o fato de a menina estar acompanhada da mãe não era um atenuante da situação: era um agravante.

Diferentemente dos intelectuais do Facebook, a senhora sabe que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com o Davi de Michelangelo; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com o que acontece em praias de nudismo, onde aliás as regras são bastante rígidas; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com os hábitos e costumes da Dinamarca; que o que aconteceu no MAM não tem nada a ver com uma criança tomar banho nua com os pais – adultos cujo vínculo afetivo e convivência cotidiana fazem do contato físico e da intimidade uma experiência positiva e saudável para o seu desenvolvimento emocional e psicológico – como aliás afirma uma nota na Associação Médica Brasileira que critica duramente a performance, por suas “repercussões imprevisíveis” diante da vulnerabilidade emocional da criança.

Não se se esses intelectuais das redes sociais não entendem ou se fingem que não entendem nada disso. O mais irônico, Dona Regina, é que eles parecem não se dar conta da campanha involuntária que estão fazendo, ao jogarem no colo da direita a bandeira da defesa da infância – como já jogaram, aliás, a bandeira do combate à corrupção. Com progressistas agindo dessa maneira, os conservadores agradecem.
Parabéns, Dona Regina. Para quem assistiu foi muito legal.

Esse é o link da G1. http://g1.globo.com/pop-arte/blog/maquina-de-escrever/post/carta-aberta-dona-regina.html

Mas e ai, qual  sua opinião sobre o que esse cara falou? Será que ele vai ser demitido, ou esse texto foi encomendado para atenuar a situação?

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One thought on “O dia em que eu li algo que preste no G1 (sobre a Dona Regina)

  1. Eliger Souza Crelier

    Muito bom, o texto. Luciano Trigo está de parabéns, pela sua corajosa iniciativa, num meio de comunicação “mimimi”, que se acha na vanguarda do modismo, mas apenas quer levar a sociedade a um suicídio intelectual coletivo, achando que temos, como as cobras do ouroboros, que engole o próprio rabo, engolirmos a nós mesmos(mesmo que se veja várias interpretações para o desenho, pelos povos antigos e modernos, eu vejo ali o símbolo da própria incompetência em prover a própria subsistência e alimenta-se de si mesma, por não querer sair do seu comodismo e “trabalhar” pelo alimento do dia a dia, como o comunismo, que quer nos alimentar, literalmente, em nome do “comum” para o proletariado, com o governo se achando dono de todos os bens), matando o nosso pensamento próprio em troca do que eles pensam por nós. O texto pode trazer duas vertentes: a demissão de Luciano Trigo ou a transformação “dos intelectuais de revista da Mônica”, em leitores de livros de Olavo de Carvalho, o que duvido muito. Mas parabenizo a Dona Regina(essa me representa), por sua humildade e simplicidade, porém com dignidade e MORAL, mostrando que pensamento inteligente e representativo pode calar a boca dos ditos “intelectuais” de plantão, colocados pela Globo, para infligir no coletivo cotidiano, suas mazelas e besteiróis, em nome de uma “EVOLUÇÃO”(uma das interpretações do ourobros), que tenta destruir o que outros pensam por conta própria e independente dos comunas. Povo brasileiro, juventude brasileira, estudem, leiam tudo que puderem, de Darwin, Carl Marx, Gramsci, Engels, entre outros, mas pesquisem e leiam Adam Smith, John Locke, Jean-Baptiste Say, Thomas Malthus, David Ricardo, Voltaire e Montesquieu, Olavo de Carvalho, Norberto Bobbio(não vou citar todos, pesquisem). Dona Regina não os leu, mas mostrou que sabe o que quer, por criação, vivência e experiência. Se 60% dos brasileiros tivessem essa consciência, o comunismo, petismo, totalitarismo, não existiriam mais no Brasil.

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